Sem chuvas, SP tem racionamento iminente e pode faltar água na Copa

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014 17:24 BRST
 

Por Alberto Alerigi e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 5 Fev (Reuters) - Parte relevante da região metropolitana de São Paulo está cada vez mais próxima de um racionamento de água, algo que já é realidade para algumas cidades do interior do Estado como resultado do baixo nível dos reservatórios.

Diante da falta de chuvas, é grande a possibilidade de municípios que abrigarão seleções durante a Copa do Mundo enfrentarem escassez hídrica, segundo o Consórcio PCJ, grupo sem fins lucrativos com usuários de água das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que ajudam a abastecer a Grande São Paulo por meio do Sistema Cantareira.

Nesta quarta-feira, o nível de volume de água contido pelas barragens do Sistema Cantareira --que atende a cerca de 10 milhões de pessoas-- era de 20,9 por cento, nível próximo do atingido em 2003, quando a capital paulista foi obrigada a conviver com um racionamento que durou meses.

"Eu já teria fechado o registro, lógico. Porque, na realidade, o grande problema não é nem hoje, é a estação da estiagem normal que vamos enfrentar a partir de maio e junho", disse à Reuters o coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad.

Se não houver chuvas nas cabeceiras dos rios que estão no sul de Minas Gerais e abastecem os reservatórios entre o fim deste mês e começo de março, o nível do Sistema Cantareira deve atingir 15 por cento. Nesse patamar, o transporte da água fica mais difícil pelos cerca de 50 quilômetros de túneis do sistema.

"Em cerca de 40 dias os reservatórios estarão num nível tão baixo que vai ficar difícil extrair água dos reservatórios... Os túneis podem ficar com barro, vão trabalhar pela metade ou menos da metade de sua seção. Isso pode provocar desgaste na estrutura", afirmou Saad. "Com o nível de alerta de 20 por cento atualmente já é para se tomar medidas de contingência e até de racionamento."

O Consórcio PCJ reúne, além de prefeituras, 30 grandes companhias como a cervejaria Ambev e a empresa de bens de consumo Unilever.

Procurada pela Reuters desde a semana passada, a Sabesp --controlada pelo governo do Estado e responsável pelo abastecimento de água-- não se pronunciou sobre risco de racionamento na região metropolitana de São Paulo.   Continuação...