ENTREVISTA-Brasil tem desafio perene para reduzir dependência do adubo importado

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014 17:12 BRST
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 6 Fev (Reuters) - O Brasil enfrenta desafios permanentes para reduzir a dependência de importação de fertilizantes, como almeja o governo, por conta de altos custos de produção e tributos, que diminuem a competitividade do país frente a concorrentes externos, disse o diretor-executivo da associação que reúne a indústria de adubos.

O consumo de adubo no país, uma potência agrícola, atingiu o recorde de 31,08 milhão de toneladas no ano passado, enquanto a produção interna seguiu direção contrária, registrando o menor nível desde 2009.

A produção menor é reflexo do esgotamento da vida útil da principal mina de potássio do país, da Vale, em fase de desaceleração na produção, e de um custo cada vez maior nas minas de fósforo, cada vez mais profundas e, portanto, mais custosas, disse David Roquetti Filho, diretor-executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda).

Enquanto isso, os preços internacionais de fertilizantes ficaram mais baixos no ano passado, reduzindo ainda mais a competitividade do Brasil, que pode optar por produtos de outras origens, dependendo dos custos com frete.

"Nossa produção está diminuindo, mas, ao mesmo tempo, o produtor está sendo suprido pelo mercado internacional", explicou.

O Brasil, quarto maior consumidor, importou quase 70 por cento de sua demanda total por NPK --sigla para os nutrientes nitrogênio, potássio e fósforo, que compõem a fórmula final dos fertilizantes.

Segundo a Anda, até 2017 a cadeia produtiva está em situação razoavelmente confortável com a previsão de início de projetos, como os da Petrobras, Galvani, Vale, Anglo American, MbAC, apresentados em congresso do setor no ano passado.

"Mas se a gente não começar a pensar desde já em projetos a partir de 2017, esta dependência (da importação) poderá voltar a crescer", afirmou.   Continuação...