ENTREVISTA-Oferta de farelo de soja no Brasil preocupa indústria de rações

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014 17:13 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 6 Fev (Reuters) - A oferta de farelo de soja no Brasil em 2014 preocupa as indústrias de ração animal, em um ano de safra recorde de grãos no país mas também de demanda elevada por parte da China, disse nesta quinta-feira o principal executivo do sindicato que reúne as empresas do setor.

"Se o consumo dos chineses expandir demais, pode faltar matéria-prima no Brasil. Ninguém aqui tem cacife para pagar mais pelo farelo", disse o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Alimentação Animal, Ariovaldo Zani.

O farelo de soja compõe cerca de 20 por cento do volume e 40 por cento do custo da ração usada para alimentar o plantel de aves e suínos do Brasil, país que está entre os principais exportadores desses tipos de carnes.

Zani teme que o apetite chinês por soja em grãos também se reflita num aumento das exportações do farelo, apesar de a China demonstrar tradicionalmente um interesse em comprar o grão para esmagar em seu amplo parque industrial.

"A soja é uma pedra que está sempre no nosso sapato. A oferta está muito apertada com o consumo", disse o executivo.

O ano de 2014 começa com estoque de 793 mil toneladas de farelo no Brasil, menor volume em pelo menos 10 anos, segundo série histórica compilada pela Abiove, associação que reúne as empresas esmagadoras e exportadoras.

O Brasil está colhendo uma safra recorde de soja, de 87,6 milhões de toneladas, segundo a Abiove, mas que pode chegar a 90 milhões segundo diversas consultorias, o que representaria um aumento de quase 10 por cento no volume da oleaginosa. Mas cerca de metade da produção terá como destino o mercado externo.

Por outro lado, o esmagamento no país crescerá numa velocidade bem menor este ano, cerca de 5 por cento, atingindo 28,2 milhões de toneladas de farelo. A maior parte deste crescimento irá para a exportação, segundo a Abiove.   Continuação...