CENÁRIOS-Alta no preço do boi gordo ganha sustentação em 2014 com estiagem

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 16:41 BRST
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 7 Fev (Reuters) - O tempo quente e seco na maior parte do Brasil inviabiliza a recuperação de pastagens e a oferta de bovinos para abate, elevando o valor da arroba ao maior nível em mais de três anos, em movimento que trará reflexos em toda a cadeia ao longo deste ano, avaliaram especialistas.

Sem pastagens adequadas, os animais poderão ser abatidos abaixo do peso ideal ou mantidos por mais tempo no campo, implicando em custos maiores ou perdas de rentabilidade.

No Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, 70 por cento do gado é criado no pasto, e o setor depende de um bom regime de chuvas para recuperar as pastagens.

"A quantidade de água que caiu e o calor foi tão intenso que houve um déficit hídrico no solo neste período. Isso é totalmente atípico, e se torna mais drástico porque tem muita gente enfrentando dificuldade para alimentar os animais", disse o professor da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Sérgio de Zen, referindo-se à busca por ração.

Os preços da arroba vêm sendo sustentados desde o final do ano passado, devido à irregularidade das chuvas. Um janeiro quente e com precipitações abaixo da média histórica colaborou para impulsionar ainda mais as cotações.

O indicador Cepea/Esalq do boi gordo encerrou a quinta-feira a 116,08 reais, no maior valor desde novembro de 2010 (nominal), um preço alto para esta época que deve ter impacto no desempenho dos grandes frigoríficos este ano.

"O preço real (da arroba) em janeiro é assustador para esta época. A cada dia que passa a preocupação não é só com o pasto, mas com a água para o animal beber", alertou.

A analista da INTL FCStone, Lygia Pimentel, considera que o valor médio da arroba bovina deve ficar mais alto neste ano, por conta deste atraso nas chuvas, impactando a margem bruta dos frigoríficos.   Continuação...