10 de Fevereiro de 2014 / às 19:28 / em 4 anos

Dólar sobe 1,12% e volta a R$2,40, com ajuste e em linha com exterior

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 10 Fev (Reuters) - O dólar subiu mais de 1 por cento nesta segunda-feira, voltando ao patamar de 2,40 reais, em movimento de ajuste após quatro sessões consecutivas de queda e com alta mais acentuada do que a vista em relação a outras moedas de países emergentes.

O dólar subiu 1,12 por cento, a 2,4060 reais na venda, após acumular perda de 2,37 por cento nos últimos quatro pregões. Na máxima do dia, a divisa chegou a 2,4080 reais.

O giro financeiro do pregão foi baixo devido à agenda esvaziada de indicadores econômicos, ajudando a acentuar as oscilações do dólar. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 525 milhões de dólares, bem abaixo da média diária de janeiro de 1,5 bilhão de dólares.

"O mercado retomou a posição compradora de dólares após as quedas da semana passada, com correção", afirmou o superintendente de câmbio da Intercam, Jaime Ferreira.

A alta do dólar no mercado doméstico foi mais acentuada do que nos mercados internacionais, como o peso chileno e o rand sul-africano, que têm sido fortemente pressionadas nas últimas semanas em meio à onda global de aversão ao risco.

"O real tende a se depreciar, acompanhando o movimento externo", escreveram analistas do Bradesco em relatório.

Investidores também evitaram fazer grandes apostas antes do discurso de chair do Federal Reserve, banco central norte-americano, Janet Yellen, no Congresso norte-americano na terça e quarta-feira.

"É o primeiro discurso que ela vai fazer, num cenário de expectativas de terceira rodada de retirada dos estímulos", afirmou o gerente de análise da XP Investimentos, Caio Sasaki, referindo-se ao atual processo de redução do programa de compra de títulos do Fed, que tende a diminuir ainda mais a oferta global de liquidez.

A queda recente da divisa norte-americana levou-a abaixo de 2,40 reais, que vinha sendo identificado por analistas como importante piso de resistência. A interpretação é que esse patamar não é inflacionário e, ao mesmo tempo, não prejudica a indústria.

Segundo analistas, o viés para o dólar continua sendo de alta no médio prazo, mas há muita volatilidade no caminho. Dessa forma, alguns especialistas já afirmam que a moeda dos EUA deve oscilar no curto prazo entre os níveis de 2,35 e 2,45 reais.

"A gente já viu o dólar assentando abaixo de 2,40 reais. Acredito que agora ele deve oscilar até 2,35 reais, na ponta baixa", afirmou o operador de uma corretora nacional.

A apreciação do dólar veio mesmo com a constante atuação do Banco Central brasileiro. Nesta manhã, deu continuidade às intervenções diárias vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes a venda futura de dólares, todos com vencimento em 1º de dezembro deste ano, com volume financeiro equivalente a 197 milhões de dólares. O BC ofertou também swaps para 1º de agosto, mas não vendeu nenhum.

Para terça-feira, fará intervenção igual: até 4 mil papeis com os mesmos vencimentos, sendo o que o leilão será realizado entre 9h30 e 9h40.

Além disso, vendeu a oferta total de até 10,5 mil swaps na terceira etapa de rolagem dos contratos que vencem em 5 de março. Com isso, a autoridade monetária já rolou cerca de 21 por cento do lote total, equivalente a 7,378 bilhões de dólares.

O BC anunciou ainda, também após o fechamento dos mercados, para o dia seguinte a realização do quarto leilão de swaps para rolagem, com a oferta de até 10,5 mil contratos

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