Brasil questiona Indonésia por barreiras à carne de frango

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014 14:32 BRST
 

SÃO PAULO, 11 Fev (Reuters) - O governo brasileiro adotou a última medida de negociação antes de abrir uma disputa comercial contra a Indonésia, ao enviar carta em que questiona as barreiras impostas à carne de frango do Brasil, disse nesta terça-feira o diretor de negociações internacionais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

"Apesar de termos a possibilidade de abrir um contencioso, resolvemos esgotar todas as possibilidades de negociação com a Indonésia", disse o diretor Marcio Lima, a jornalistas.

No final do ano passado, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a abertura de um contencioso com a Indonésia na Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as barreiras técnicas que travam a entrada do produto brasileiro no mercado do país asiático.

Mas antes de abrir o painel na OMC, o governo está enviando uma carta ao governo indonésio na qual questiona porque o país impõe regras mais rígidas no método do abate halal --que segue os preceitos islâmicos-- para a carne de frango do Brasil, além daqueles previstos no Codex Alimentarius, código internacional de padrão dos alimentos.

"É um método mais rígido que o halal, que vai além do Codex Alimentarius e acaba virando uma barreira para nossas exportações (de carne de frango)", explicou.

Lima participou de reunião nesta manhã em São Paulo com representantes das associações de exportadores de carne de frango (Ubabef), bovina (Abiec) e suína (Abipecs) na qual foram reforçadas as linhas de estratégia para reduzir os gargalos, agilizar vendas e aumentar a participação do Brasil no comércio internacional.

METAS EXTERNAS

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Ricardo Schiffer, disse que o governo prevê expandir as vendas de todas as carnes em até 1 milhão de toneladas, mas não indicou um prazo para atingir esta meta.

"Nossa intenção é dialogar com o setor de carnes. Vemos uma situação difícil no mercado mundial com o aumento da competição e num cenário de mudanças constantes. A ideia é solucionar gargalos de custo, financiamento, trabalhar o acesso a mercados, porque percebemos barreiras contra a exportação brasileira, e vemos que isso pode ser mudado", disse.   Continuação...