ESPECIAL-A gincana das concessões

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014 18:09 BRST
 

(Confira a versão da reportagem em PDF em link.reuters.com/dyp76v)

Por Leonardo Goy

11 Fev (Reuters) - Há três décadas, Darci Antonio espera a duplicação do trecho sinuoso e esburacado da Serra do Cafezal na rodovia Régis Bittencourt, principal via de ligação entre o Sul e o Sudeste do Brasil e por onde passa parte relevante da produção nacional. Para o caminhoneiro, o trecho não melhorou desde que a rodovia foi privatizada, em 2008, mesmo com as obras de duplicação começando a sair do papel.

"Já demorei seis horas para ir de lá (Serra do Cafezal) a São Paulo, quando o normal é fazer em duas horas", disse à Reuters, enquanto preparava o almoço na cozinha portátil de seu caminhão, num pátio à beira da rodovia. "É uma catástrofe."

A história de Darci ilustra um aspecto recente dos problemas de logística do país, em que as tentativas do governo federal de sanar a historicamente precária infraestrutura --concedendo ao setor privado a administração de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos-- vêm esbarrando em questões ambientais, legais e políticas.

Em jogo, muito além dos preparativos para sediar a Copa do Mundo, neste ano, e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, está o ambicioso plano do governo da presidente Dilma Rousseff de atrair centenas de bilhões de reais em investimentos na logística para melhorar a competitividade brasileira.

Obras como a da Serra do Cafezal enfrentam imensos obstáculos legais, ambientais e regulatórios para avançar.

Ao longo de três meses, a reportagem da Reuters visitou obras de algumas das principais concessões do Brasil e conversou com representantes do governo e especialistas.

A constatação é que o salto necessário à logística depende de tempo, mais dinheiro público e privado, maior planejamento e aperfeiçoamentos legais para evitar situações como a da Régis Bittencourt --que precisou esperar 20 anos para que a Justiça e os órgãos ambientais liberassem a duplicação de um de seus trechos mais perigosos.   Continuação...

 
Vista aérea das obras do aeroporto São Gonçalo do Amarante (RN), primeiro terminal sob concessão da iniciativa privada no país. Foto de 22/01/2012 REUTERS/Sergio Moraes