Cinturão cafeeiro do Brasil luta contra rara ameaça: calor e tempo seco

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014 19:33 BRST
 

Por Reese Ewing

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL, São Paulo, 12 Fev (Reuters) - No cinturão cafeeiro do Brasil, a geada costumava ser o maior risco para os fazendeiros e negociantes de commodities. Mas depois de anos de migração para regiões mais quentes, os agricultores agora se veem às voltas com a luta para superar um fenômeno raro: o calor escaldante.

Janeiro foi o mês mais quente e seco registrado até hoje em boa parte do Sudeste do Brasil, castigando culturas no coração agrícola do país e empurrando fortemente para cima os preços das commodities nos mercados mundiais.

Com sinais emergindo de que as lavouras do maior produtor global podem estar definhando, os preços no mercado futuro subiram 26 por cento ao longo de sete dias, para seu valor mais alto em nove meses.

A onda de calor lançou muitos cafeicultores brasileiros em terreno desconhecido. Janeiro, normalmente o mês mais chuvoso na região cafeeira, pegou os cafeicultores desprevenidos, deixando-os com poucas opções, a não ser contar as perdas.

Alguns poucos, como Marcio Diogo, terceira geração de uma família de produtores de Espírito Santo do Pinhal, em São Paulo, estão se empenhando na instalação de linhas de irrigação para limitar esses prejuízos, que podem ter alcançado 30 por cento da produção em sua propriedade de 75 hectares, de acordo com seu relato.

"Meu avô que começou aqui 80 anos atrás... nunca tinha visto um janeiro como este", disse Diogo, enquanto caminhava pelo cafezal com 25.000 pés plantados há pouco tempo, que ele encomendou seis meses atrás.

"Tive de molhar este campo seis vezes, com trator", prosseguiu, citando algo que normalmente não precisa fazer.

A seca não poderia ter vindo em pior hora para Diogo e outros produtores, que enfrentaram nos últimos dois anos preços baixos no mercado mundial de café. Ainda não está claro se a recente alta nos preços, em parte provocada pela seca no Brasil, vai compensar, no final, a perda de produção causada pelo tempo seco.   Continuação...