13 de Fevereiro de 2014 / às 09:29 / 4 anos atrás

Via Varejo deve acelerar abertura de lojas em 2014

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - A Via Varejo, divisão de móveis e eletrodomésticos do Grupo Pão de Açúcar, prevê acelerar o ritmo de abertura de lojas em 2014, movimento que deve ajudar a elevar suas vendas a despeito do cenário menos animador para o setor.

Mais cedo, o IBGE divulgou que as vendas do varejo brasileiro avançaram 4,3 por cento em 2013, na pior expansão em 10 anos.

Mesmo com o lançamento do programa do governo de subsídio à compra de móveis e eletrodomésticos Minha Casa Melhor, em junho, o segmento de móveis e eletrodomésticos viu a expansão das vendas desacelerar para 5 por cento em 2013, ante 12,3 por cento no ano anterior.

Avaliando que a Via Varejo “vive certa dissonância” do mercado após um aumento de 11,8 por cento na receita líquida no ano, a 21,8 bilhões de reais, o diretor-presidente da empresa, Francisco Valim, disse acreditar na expansão das atividades mesmo com “mais incertezas” em 2014.

“O consumo brasileiro é bastante resiliente”, disse a jornalistas nesta quinta-feira, mencionando a baixa penetração de eletrodomésticos no país e o aumento da escala proporcionado pela maior base de compradores, o que possibilita a oferta de preços historicamente baixos para os eletrônicos.

Segundo o executivo, o crescimento da Via Varejo será guiado pelo avanço das vendas nas mesmas lojas, com a ajuda adicional das cerca de 70 unidades que a companhia prevê inagurar no ano, com foco nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.

O número representa um avanço de 70 por cento ante as 41 lojas abertas em 2013, e se insere no plano da companhia de inaugurar 210 novas unidades até 2016.

Em teleconferência com analistas mais cedo, ele havia dito que o Minha Casa Melhor não teve impacto significativo para a companhia, e que preços de imóveis estáveis neste ano abririam uma oportunidade adicional para o plano de expansão de lojas.

Segundo o diretor financeiro da Via Varejo, Vitor Fagá, há espaço para a empresa otimizar custos essencialmente com medidas que já foram implementadas, como a redistribuição de produtos ao longo da malha logística.

Mas as investidas não serão tomadas para compensar uma maior agressividade nos preços, prática que o controlador Pão de Açúcar já sinalizou que irá adotar na operação alimentar.

A expectativa é da manutenção da margem bruta no mesmo patamar de 2013, disse Valim, quando chegou a 30,8 por cento.

O presidente da Via Varejo afirmou que a categoria de móveis será explorada dentro da companhia especialmente a partir do segundo semestre, com ajustes internos que passarão pelo design e disposição dos produtos nas lojas.

No ano passado, a Via Varejo comprou o controle da Bartira, maior fabricante de móveis do país, na qual já tinha uma fatia.

Apesar de reconhecer que a Copa do Mundo dará uma mão à venda de TVs durante a primeira metade do ano, Valim ponderou que a alta será ofuscada por uma desaceleração no segundo semestre, com a comercialização dos equipamentos ficando dentro do que se espera em um “ano típico”.

RESULTADOS

A companhia divulgou lucro líquido de 769 milhões de reais para o quarto trimestre, mais que o triplo de um ano antes, em meio a melhoras operacionais e ganhos não recorrentes.

Em termos ajustados, o lucro líquido entre outubro e dezembro foi de 264 milhões de reais, alta de 22,9 por cento na comparação anual.

No período, ganhos de eficiência compensaram a redução de 1,6 ponto percentual na margem bruta, a 30,3 por cento, diante da prática de preços menores durante a Black Friday.

A companhia teve receita líquida de 6,23 bilhões de reais no último trimestre, um crescimento anual de 11,7 por cento.

A equipe de analistas do Bank of America Merrill Lynch reforçou que a Via Varejo é sua principal aposta no setor na América Latina.

“Nós vemos a Via Varejo com taxas de crescimento de um dígito alto no começo de 2014 ... apesar de perspectivas duras para o consumo”, disse relatório do BofA assinado pelo analista Robert Aguilar. “Maior execução fiscal e um cenário macro desafiador devem acelerar a consolidação da indústria, e vemos a Via Varejo se beneficiando.”

Para o Citi, os “sólidos resultados ajustados” da companhia são notícias positivas para o GPA. “Ganhos de eficiência foram refletidos em estabilidade operacional e aumento dos lucros”, escreveu a equipe da analista Renata Coutinho em relatório.

Apesar do resultado bem visto pelo mercado, as units da companhia encerraram o pregão em baixa de 0,81 por cento, a 24,50 reais, diante de recuo de 0,84 por cento do Ibovespa, índice do qual não fazem parte. As ações do GPA, por sua vez, fecharam estáveis, a 95,50 reais.

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