BB desagrada com 4º tri e projeções para 2014; ações caem 5%

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014 16:49 BRST
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil frustrou o mercado ao publicar lucro abaixo das expectativas no quarto trimestre e projetar expansão do crédito e rentabilidade menores em 2014, expondo o desafio de crescer forte e com qualidade num cenário econômico adverso.

As previsões complementaram os resultados trimestrais do banco, que revelaram lucro recorrente de 2,424 bilhões de reais de outubro a dezembro, queda de 23,8 por cento na comparação anual, e abaixo dos 2,61 bilhões da previsão de oito analistas ouvidos pela Reuters. O lucro líquido, com itens extraordinários, somou 3,025 bilhões de reais, recuo de 23,7 por cento no ano a ano.

A carteira de financiamentos atingiu 636,1 bilhões de reais, com expansão de 19,9 por cento. O salto de 78 por cento no crédito imobiliário foi contrabalançado pela desaceleração dos empréstimos para pessoas físicas, para 10,6 por cento.

Para 2014, o BB previu alta de 14 a 18 por cento, número próximo dos estimados pelos rivais privados, mostrando o fim do ciclo de crescimento bem acima da média. Até setembro, a carteira do BB crescera 22,5 por cento, mais que o dobro da média dos principais concorrentes.

"Essas provisões são conservadoras... podemos surpreender o mercado no final do ano", disse o presidente-executivo do BB, Aldemir Bendine, a jornalistas nesta quinta-feira.

Para analistas, no entanto, os dados mostraram que o banco estatal pode estar acusando os efeitos adversos de maiores custos de captação --a taxa básica de juros subiu 3,75 pontos percentuais em 2013-- e a dificuldade de repassá-los totalmente aos tomadores, diante da maior competição com bancos privados.

No quarto trimestre, a margem financeira líquida do banco, de 7,77 bilhões de reais, caiu 7,4 por cento ante mesma etapa do ano anterior e 0,7 por cento na base sequencial.

"Achamos que o banco vai sofrer no curto prazo, com a Selic aumentando os custos de captação", escreveu em relatório a analista Regina Sanches, do Itaú BBA.   Continuação...