13 de Fevereiro de 2014 / às 15:53 / 4 anos atrás

Varejo recua 0,2% em dezembro, tem em 2013 menor expansão em 10 anos

Consumidores olham alto-falantes em uma loja da rede Casas Bahia em São Paulo. As vendas no comércio varejista brasileiro perderam força em dezembro e recuaram 0,2 por cento sobre o mês anterior, registrando em 2013 a menor expansão em dez anos e indicando moderação do consumo no início deste ano. 07/02/2013Nacho Doce

Por Felipe Pontes e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - As vendas no comércio varejista brasileiro perderam força em dezembro e recuaram 0,2 por cento sobre o mês anterior, registrando em 2013 a menor expansão em dez anos e indicando moderação do consumo no início deste ano.

Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que as vendas subiram 4,3 por cento no ano passado, desacelerando com força em relação a 2012, quando elas cresceram 8,4 por cento. Foi o pior resultado desde a contração de 3,7 por cento em 2003.

Já a taxa mensal interrompeu nove meses seguidos de alta, a última delas em novembro, de 0,6 por cento, segundo dados revisados. Na comparação com dezembro de 2012 houve expansão de 4,0 por cento.

"O resultado do ano reflete bem o fato de o rendimento e o crédito crescerem menos. Muito provavelmente em 2014 deveremos ter taxa similar à de 2013 porque o mercado de trabalho continua relativamente estável e o crédito não deve ajudar muito, já que estamos em ciclo de alta de juros", avaliou a economista-chefe da Rosenberg & Associados Thais Marzola Zara.

O resultado mensal foi igual à estimativa mais pessimista em pesquisa Reuters, cuja mediana apontava para alta de 0,40 por cento. Para o ano, a mediana era de crescimento de 5,10 por cento.

Ao dessazonalizar os dados mensais, o IBGE retira de dezembro os efeitos das vendas por conta do Natal.

LOJAS DE DEPARTAMENTO

Segundo o IBGE, quatro das oito atividades pesquisadas no varejo restrito tiveram queda na comparação mensal. Os principais destaques foram Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-12,6 por cento) e Móveis e eletrodomésticos (-3,5 por cento).

No ano, todas as atividades tiveram crescimento, com destaque para Outros artigos de uso pessoal e doméstico, com 10,3 por cento em relação a 2012, respondendo por 23,3 por cento da taxa anual do varejo.

Nesse caso, as lojas de departamento tiveram a maior influência no resultado, respondendo por 48 por cento da taxa final da atividade principalmente por conta das vendas na Internet, segundo a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

Com isso, Outros artigos de uso pessoal e doméstico superou Hipermercados e produtos alimentícios, bebidas e de fumo, que haviam sido o destaque de 2012. Em 2013 essa atividade mostrou expansão de apenas 1,9 por cento, ante 8,5 por cento no ano anterior.

"Hipermercado tem muito a ver com a massa de rendimentos, que embora tenha crescido foi a um ritmo menor", disse Aleciana.

O IBGE informou ainda que a receita nominal do varejo teve alta de 0,5 por cento em dezembro sobre novembro e de 10,7 por cento sobre um ano antes, registrando em 2013 expansão de 11,9 por cento.

Já o volume de vendas no varejo ampliado --que inclui veículos e material de construção-- mostrou queda de 1,5 por cento em dezembro sobre novembro, com queda tanto nas vendas de Veículos e motos, partes e peças quanto de Material de Construção. Em 2013, o varejo ampliado cresceu 3,6 por cento, menor taxa desde 2005.

ATIVIDADE

A forte desaceleração das vendas dificultou a recuperação da economia como um todo e o comportamento no final do ano deve ter feito pouco para estimular o Produto Interno Bruto (PIB após contração no terceiro trimestre. Ainda assim, economistas veem leve expansão da atividade no quarto trimestre ante os três meses anteriores.

"Acho pouco difícil haver uma recessão técnica (dois trimestres seguidos de contração) porque deve haver crescimento de 0,5 por cento em serviços", disse o economista da MCM Consultores Associados Leandro Padulla.

Ele estima expansão de 0,3 por cento do PIB no quarto trimestre de 2013 ante os três meses anteriores e avalia que não deve mudar o número após o resultado do varejo. Para 2013 a estimativa é de crescimento de 2,1 por cento.

O IBGE divulga no próximo dia 27 os dados sobre o PIB do ano passado.

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