February 13, 2014 / 9:29 PM / 3 years ago

ENTREVISTA-Seca causa "prejuízo" de 30% na safra 2014 de café da Cooxupé

4 Min, DE LEITURA

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - A Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo, estimou nesta quinta-feira que a severa seca que atingiu suas áreas produtoras deve causar perdas de 30 por cento em relação à safra esperada em 2014.

Antes da seca, a cooperativa previa uma safra de 10 milhões de sacas nas regiões em que atua, disse o presidente da instituição, Carlos Paulino da Costa, em entrevista à Reuters.

A Cooxupé atua predominantemente no sul de Minas Gerais, Estado que responde por cerca de metade da safra nacional.

"Garanto que o prejuízo está em torno de 30 por cento", disse Paulino da Costa.

"Isso vai depender da chuva. Se chover, para o prejuízo. Se continuar (a seca), o prejuízo vai continuar aumentando", afirmou ele.

A produção da região da Cooxupé --entre cooperados e não cooperados-- representa aproximadamente um quinto da produção nacional.

A safra deste ano de café do Brasil, maior produtor e exportador global, foi estimada no início de janeiro, antes da seca, em 48,34 milhões de sacas de 60 kg, uma produção praticamente estável na comparação com a safra passada.

Os futuros de café arábica negociados em Nova York fecharam em baixa, em uma sessão marcada por volatilidade, pressionados por previsões de chuvas bastante necessárias para o cinturão produtor do Brasil, enquanto perdas de produção forneceram suporte em pesados volumes.

Segundo Paulino da Costa, as áreas da cooperativa registraram chuvas volumosas somente no início de janeiro e depois em meados do mês passado. E os produtores aguardam ansiosamente pelas precipitações.

"Estamos até com o pescoço doendo de tanto olhar para cima", disse.

Ele explicou que a seca afeta a safra 2014 basicamente de duas formas: o café que consegue "granar" não cresce adequadamente, e outros frutos afetados acabam ficando "secos".

"Olha a fruta e ela parece muito boa, mas olha dentro dela e ela está seca. Esse que é o prejuízo maior, este não recupera mais", afirmou o executivo.

negócios Facilitados

Por causa do problema da seca, a cooperativa está até facilitando negócios em uma feira de máquinas e insumos que acontece em Guaxupé, cidade sede da instituição.

Segundo Paulino da Costa, o produtor normalmente compra o implemento utilizando o café como moeda de troca, efetuando o pagamento em setembro, quando a colheita já está praticamente finalizada.

"Como vai ter um problema da seca, como vai ter uma queda muito grande, ele vai comprar o equipamento e pagar um terço este ano, um terço no ano que vem e um terço em 2016, com preços pré-fixados do café", disse o presidente da Cooxupé.

Segundo Paulino da Costa, as condições de pagamento ajudaram a manter o ânimo dos cooperados que visitam a Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas (Femagri).

O presidente da cooperativa disse ainda que está aconselhando os produtores a não exercer os contratos de opções de venda de café ao governo, já que o preço subiu com a seca no Brasil, e o valor estabelecido no papel está mais baixo do que aponta o mercado atualmente.

"A opção aqui vai ser zero, o preço atual está superior ao do governo", disse ele, lembrando que, pela opção, o governo pagaria 343 reais por saca, mas há custos de 30 reais para entregar ao governo. E o café atualmente é negociado a 350 reais no mercado físico.

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