CENÁRIOS-Preço alto de energia incentiva indústria a poupar para vender excedente

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 11:56 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - O alto preço de energia de curto prazo tende a ser um incentivo para que a indústria, grande consumidora de energia, reduza suas atividades e aproveite o momento para obter ganhos com a venda de eletricidade excedente, afirmam representantes de comercializadores e consumidores de energia.

A venda de energia em momento de preços altos no curto prazo, caminho que as indústrias tendem a seguir, é um cenário que já favorece geradoras com sobra de energia.

O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve de base para os preços de energia de curto prazo, ainda está a 822,83 reais por megawatt-hora (MWh) nesta semana, teto regulatório determinado para o ano, para as regiões Sudeste e Centro/Oeste. Para Norte e Nordeste, o preço caiu, mas ainda se mantém alto.

"Com um PLD desse, há diminuição do consumo de consumidores eletrointensivos para aproveitar a alta... Isso tende a ocorrer", disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro.

Em momento de alto preço de energia, empresas consumidoras livres que já têm sobras no contrato podem obter ganhos com vendas no curto prazo. Outras, que não têm sobra, podem ainda resolver reduzir a produção para com as sobras obter mais ganhos em negociações com energia, desde que tenham flexibilidade para fazê-lo sem prejudicar compromissos com clientes.

Ainda, empresas que estão subcontratadas e teriam que contratar energia para manter o ritmo das atividades, também podem optar por diminuir o ritmo de produção a ter que contratar energia muito mais cara no mercado à vista.

"Pelo preço que a energia está hoje, qualquer redução de consumo, além de ajudar o país, ainda tem um efeito monetário", disse o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos. Há uma semana, quando o preço de energia de curto prazo atingiu o recorde, a Comerc, uma das principais gestoras e comercializadoras de energia do país, aconselhou seus clientes livres a reduzir o consumo de energia, para evitar a aquisição de necessidades adicionais e até aproveitar o benefício de sobras de energia.

Camila Schoti, coordenadora de Energia Elétrica da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), afirma essa prática pelas indústrias é comum nas condições atuais. "Isso é um tipo de prática inclusive adotada em outros países e independente de para quem está gerando ganho, o consumidor que está fazendo isso vai contribuir para o sistema", disse.   Continuação...