ESPECIAL-Medidas contra filas em Santos esbarram em safra recorde, gargalos e desrespeito

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 15:14 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SANTOS, 19 Fev (Reuters) - A falta de capacidade das estradas de acesso ao porto de Santos, pátios reguladores operando perto do limite e o desrespeito a agendamentos na chegada de cargas apontam para mais uma safra de soja com problemas e congestionamentos no maior complexo portuário da América Latina.

Filas de caminhões nos acessos e dentro da cidade de Santos já foram registrados na semana passada e voltaram a ocorrer na terça e nesta quarta-feira, provocando reclamações de caminhoneiros, moradores e comerciantes de grãos do Brasil, que se debate para superar gargalos logísticos com medidas preventivas enquanto esperados investimentos não resolvem um dos principais problemas para acelerar seu crescimento.

Praticamente todas as cargas exportadas que chegam de caminhão precisam descer a Serra do Mar, pelas rodovias Anchieta e Imigrantes. E agora, numa tentativa de organizar um caótico fluxo, todos os veículos são obrigados a fazer uma parada agendada em pátios reguladores em Cubatão, a poucos quilômetros dos terminais portuários, sob ameaça de multa.

"Cubatão não está comportando. É muita perda de tempo e sofrimento para nós", disse à Reuters o caminhoneiro Wilson Luiz de Almeida Jr., esperando na fila para descarregar em um terminal de Santos.

Assim como muitos outros, Almeida enfrentou uma verdadeira odisseia para percorrer os últimos 40 quilômetros de viagem, na terça-feira: quatro horas para descer a serra e conseguir entrar no pátio e mais quatro horas para sair do pátio e chegar ao portão do terminal.

Isso representa custos para toda a cadeia produtiva e perda de competitividade para o Brasil, um dos produtores agrícolas mais eficientes do mundo, dentro da fazenda, mas com histórico problema de infraestrutura.

A Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) estimou prejuízo de 2,5 bilhões de dólares para as empresas do setor em 2013, devido a fatores que incluíram a elevação não esperada no custo do frete rodoviário, em parte decorrente dos congestionamentos para acessar os portos.

"Os pátios não dão conta de absorver porque os caminhões chegam fora da programação", disse um empresário do setor de logística em Cubatão, que pediu para não ser identificado.   Continuação...