Indústria de cartões deve voltar a desacelerar em 2014, diz Abecs

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 15:34 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O faturamento da indústria de cartões no Brasil deve manter a tendência de desaceleração e ter em 2014 a menor alta em pelo menos sete anos, estimou nesta quarta-feira a entidade que representa as empresas do setor, Abecs.

A expectativa é de que as receitas do segmento evoluam 17,1 por cento ante o ano passado, a 1 trilhão de reais. Em 2013, o faturamento do setor, incluindo operações com cartões de débito e de crédito subiu 17,8 por cento, a 853 bilhões de reais.

Mesmo com a menor atividade econômica do país nos últimos anos, o setor seguiu se beneficiando da tendência do maior uso dos cartões como meio de pagamento, em detrimento de cheque e dinheiro, disse o presidente da Abecs, Marcelo Noronha.

Em 2013, os cartões responderam por 28 por cento, ante 26,4 por cento no ano anterior. No quarto trimestre isoladamente, esse índice atingiu a inédita marca de 30 por cento. Segundo Noronha, essa tendência deve continuar nos próximos anos até o país atingir níveis semelhantes aos dos Estados Unidos, por exemplo, em torno de 45 por cento. "Ainda vemos crescimento expressivo por alguns anos", disse.

Os números revelaram crescente fatia das operações nas quais o pagamento é feito sem a presença do portador do cartão, majoritariamente as compras pela Internet. Em 2013, elas cresceram 19,5 por cento, para 12 por cento do total.

Por outro lado, as compras de brasileiros no exterior cresceram apenas 10,8 por cento no período, para o equivalente a 26,6 bilhões de reais, diante da preferência por outros meios de pagamento para fugir da alíquota de 6 por cento de IOF sobre compra no exterior com cartões.

O uso de cartão que já chegou a representar 65 por cento das compras fora do Brasil, caiu para 49 por cento em 2013.

INADIMPLÊNCIA

Segundo a Abecs, com o foco dos bancos em linhas de financiamento consideradas menos arriscadas, como consignado e empréstimo pessoal, o crédito rotativo do cartão de crédito perdeu força, caindo de 3 para 2 por cento dos empréstimos do sistema financeiro a pessoas físicas entre 2007 e 2013.   Continuação...