ENTREVISTA-Superávit primário brasileiro precisa ser "realista", diz S&P

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 21:57 BRT
 

Por Walter Brandimarte

NOVA YORK, 19 Fev (Reuters) - O Brasil precisa estabelecer uma meta de superávit primário para este ano que seja atingível a fim de convencer investidores e agências de classificação de risco de que será capaz de manter a dívida em uma trajetória sustentável, disse uma analista da agência de rating Standard & Poor nesta quarta-feira.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve anunciar a meta fiscal para este ano na quinta-feira, e muitos analistas temem que possa ser pequena demais ou não suficientemente crível para acalmar os investidores preocupados com a deterioração recente dos fundamentos econômicos domésticos.

O crescimento econômico fraco e as pressões por gastos em um ano eleitoral dificultam ainda mais os esforços do governo para produzir superávits substanciais. A grave seca que está elevando os custos da energia também pode pesar sobre as finanças públicas neste ano.

"Um dos trabalhos que vamos fazer é avaliar o quão realista é a meta", disse a analista da S&P Lisa Schineller em entrevista à Reuters. "Qualquer meta que for apresentada será importante, mas não vamos olhar somente para o número, mas a sinalização de como você pode alcançá-la."

Uma meta fiscal crível é uma das variáveis-chave que a S&P está considerando para decidir se irá rebaixar o rating de crédito do Brasil ao longo dos próximos meses. Outras questões incluem o crescimento econômico do país, que a S&P teme que possa desacelerar ainda mais neste ano, tornando mais difícil para o governo cumprir sua meta fiscal.

O superávit primário, que é a economia feita para pagar os juros da dívida pública, tornou-se uma questão-chave para a presidente Dilma Rousseff, na medida em que os mercados exigem garantias de que o governo vai deter a deterioração recente nos fundamentos econômicos que têm sustentado a estabilidade da economia brasileira nos últimos 15 anos.

O ressurgimento da turbulência dos mercados emergentes adicionou pressão sobre o governo para apresentar uma meta fiscal mais ambiciosa, como parte de uma estratégia para diferenciar o Brasil de economias emergentes mais fracas.

Mas depois que o superávit primário caiu drasticamente no ano passado, mesmo com as receitas extraordinárias, investidores e agências de classificação estão preocupados.   Continuação...