Governo fixa meta de primário em 1,9% do PIB e gera reação cautelosa

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014 18:59 BRT
 

Por Luciana Otoni e Patrícia Duarte

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 20 Fev (Reuters) - O governo federal reduziu nesta quinta-feira a meta de superávit primário deste ano a 1,9 por cento do PIB, na tentativa de assegurar que ela seja cumprida sem artifícios contábeis e num esforço para resgatar a credibilidade do gerenciamento das contas públicas.

O movimento de agora, apesar de ter sido bem recebido de maneira geral, ainda não convenceu plenamente agentes econômicos, que querem ver as ações mais austeras saírem do papel justamente num ano eleitoral.

O governo também contingenciou 44 bilhões de reais do Orçamento deste ano, acima dos 38 bilhões de reais em 2013, mas abaixo dos cerca de 50 bilhões de reais nos dois anos anteriores.

Para 2014, a meta de superávit primário do setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais) foi diminuída a 99 bilhões de reais, equivalente a 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 2,1 por cento previstos até então.

O novo objetivo, divulgado nesta quinta-feira pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, é exatamente igual ao resultado obtido no ano passado, no pior desempenho histórico e abaixo da meta de 2,3 por cento naquele momento, apesar das volumosas receitas extraordinárias em 2013.

"A gente tem que ver as ações mais do que o discurso... O governo está achando que é mais um problema de comunicação que de ação... Tem que esperar para ver se eles vão começar a agir como eles estão falando", avaliou o economista Enestor dos Santos, do BBVA, acrescentando que a meta ainda é "pouco crível".

Pesquisa Reuters mostrou que 22 de 35 economistas consultados acreditam que a meta de 1,9 por cento do PIB não será cumprida. Um dos principais motivos é a desaceleração da atividade, que para os economistas será mais intensa que o calculado pelo governo. A mediana das projeções para o superávit deste ano na pesquisa é de 1,5 por cento.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu que o governo deverá entregar os resultados. "Já fizemos resultados maiores no período pré-crise, mas no período da crise fica mais difícil fazer resultados (primários) maiores", disse Mantega.   Continuação...

 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fala durante o anúncio de cortes no Orçamento Federal, em Brasília. O governo reduziu a meta de superávit primário neste ano ao mesmo tempo em que anunciou um contingenciamento maior no Orçamento, num esforço para mostrar mudanças no gerenciamento das contas públicas e resgatar sua credibilidade, mas o movimento ainda não convenceu plenamente os agentes econômicos. 20/02/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino