21 de Fevereiro de 2014 / às 20:14 / em 4 anos

Dólar cai pelo 3º dia e vai a R$2,35, com nova meta fiscal

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 21 Fev (Reuters) - O dólar fechou em queda pela terceira sessão consecutiva, voltando ao patamar de 2,35 reais nesta sexta-feira, à medida que investidores desmontaram posições compradas após o bem recebido anúncio da nova meta fiscal na véspera e acompanhando a depreciação da divisa norte-americana no exterior.

O dólar recuou 0,81 por cento, a 2,3534 reais na venda, após bater 2,3511 na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,2 bilhão de dólares.

Na semana, a moeda norte-americana acumulou queda de 1,39 por cento ante o real, a maior perda semanal desde o fim do ano passado.

"Muita gente estava comprada em dólar, com os fundamentos ruins e o cenário preocupante lá fora. Com o anúncio fiscal e a tranquilidade das últimas semanas, o pessoal desfez essas posições", disse o operador de um importante banco nacional.

É o sexto pregão consecutivo em que o dólar fecha abaixo do nível de 2,40 reais, em meio ao arrefecimento das preocupações com mercados emergentes que vinham pressionando ativos de países em desenvolvimento nas praças financeiras globais.

A mais recente fonte de alívio no mercado doméstico foi o anúncio da nova meta de superávit primário para este ano, que foi bem recebida pelo mercado e levou a divisa norte-americana a fechar a véspera no nível mais baixo em um mês.

"Era esperado que houvesse uma correção, porque o dólar caiu bastante nas últimas sessões, mas o mercado ainda está sob o efeito do plano fiscal, que ajuda um pouco o real", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

De acordo com especialistas, mesmo com as recentes quedas, o dólar tende a voltar a subir no curto prazo, com investidores retomando a atitude de cautela agora que as notícias positivas já foram precificadas. Parte do mercado vê que a divisa deve oscilar entre 2,35 e 2,45 reais, níveis que não são inflacionários e, ao mesmo tempo, não prejudicam as exportações.

A queda do dólar no Brasil também foi influenciado pela depreciação da divisa norte-americana nos mercados globais. O movimento ganhou força após as vendas de moradias usadas nos EUA caíram mais que o esperado em janeiro, alimentando preocupações sobre a recuperação da maior economia do mundo.

Ajudou ainda a constante atuação do Banco Central brasileiro no câmbio. Pela manhã, deu continuidade às atuações diárias, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps tradicionais --equivalentes a venda futura de dólares-- com volume equivalente a 197,5 milhões de dólares. Foram 500 contratos para 1º de agosto e 3,5 mil para 1º de dezembro deste ano.

O BC também vendeu o lote integral de 10,5 mil swaps em mais um leilão para a rolagem dos contratos que vencem em 5 de março. Com isso, o BC já rolou cerca de 84 por cento do lote para o próximo mês, que equivale a 7,378 bilhões de dólares.

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