ENTREVISTA-Medidas para economia voluntária de energia no Brasil já deveriam ter sido tomadas--ABCE

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014 17:18 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - Medidas para incentivar a redução "voluntária" do consumo de energia elétrica já deveriam ter sido adotadas como forma de diminuir os riscos de racionamento de energia, defendeu o presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Carlos Ribeiro, ex-diretor no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Segundo ele, mesmo que as represas das hidrelétricas cheguem no final de abril aos níveis que o ONS diz serem seguros, tende a haver preocupação novamente sobre o próximo período de chuvas.

"Não é hora de decretar racionamento de forma nenhuma, mas continua sendo importante que haja uma campanha de conscientização para que o uso da eletricidade seja mais racional... Uma redução de consumo que fosse voluntária não afetaria de maneira nenhuma a vida das famílias", disse à Reuters.

Os reservatórios das hidrelétricas da região Sudeste/Centro Oeste, os principais para abastecimento do país, estão em níveis baixos, próximos dos registrados antes do racionamento de energia de 2001 e continuam caindo. As represas dependem de chuvas abundantes até o fim de abril para que seja evitado um racionamento neste ano.

Do fim de dezembro até agora, o nível dos reservatórios do Sudeste, já caiu 7,93 pontos percentuais, quando deveria estar enchendo. A situação só não está ainda pior porque, nas últimas semanas, houve uma redução das temperaturas e consequentemente do consumo de carga e energia, aliviando a queda do nível nas represas.

Ribeiro, que além de presidente da ABCE atua na área de Operação na Cteep, considera correto aguardar o fim da estação chuvosa, que pode se estender até abril, para que o governo federal decida sobre a necessidade de decretar formalmente um racionamento de energia, como ocorreu em 2001. Mas ele alerta que medidas que incentivem o consumo de energia sem desperdícios já ajudariam a evitar um racionamento de proporções como o que ocorreu em 2001.

A aplicação das bandeiras tarifárias, por exemplo, que deveria começar a valer em janeiro deste ano, mas foi adiada para início de 2015, já daria um sinal para os consumidores sobre a necessidade de economizar energia, com base no preço da conta de energia. De acordo com a medida, os consumidores teriam uma sinalização na fatura corrente de energia sobre o aumento ou queda no custo no mês seguinte, repassando mensalmente para a conta de luz os gastos com geração termelétrica.

As conversas para decretar racionamento de 2001 começaram em abril daquele ano e o racionamento começou em junho. Atualmente, o Brasil conta com mais capacidade de geração de energia e maior rede de transmissão, mas chuvas abaixo da média nos últimos dois anos, atraso na entrada de alguns empreendimentos incluindo eólicas que aguardam sistemas de transmissão e temperaturas recordes neste verão são fatores que contribuem para elevar preocupações.   Continuação...