B&A, de BTG e Agnelli, desiste de comprar fatia em projeto na Guiné, dizem fontes

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 14:04 BRT
 

Por Silvia Antonioli e Anjuli Davies

LONDRES, 25 Fev (Reuters) - A brasileira B&A Mineração desistiu da negociação para comprar a fatia da BHP Billiton no depósito de minério de ferro Mount Nimba, na Guiné, disseram fontes da indústria e do setor bancário, no mais recente sinal de que projetos em países com elevado risco tornaram-se difíceis de vender.

Depois de longas negociações, a B&A Mineração perdeu o interesse porque passou a perceber o projeto como muito caro, arriscado e difícil dos pontos de vista operacional e político, disseram as fontes.

A B&A é associação entre o ex-presidente da Vale Roger Agnelli e o banco BTG Pactual, do bilionário André Esteves.

Acionistas de grandes mineradoras como a BHP têm pressionado as empresas a reduzir o escopo de atuação, com corte de custos e mais retorno sobre os ativos existentes, ao invés de gastarem dinheiro no desenvolvimento de grandes novos projetos.

Por outro lado, a venda de ativos em países de alto risco está se mostrando cada vez mais difícil em um ambiente de preços fracos para os metais e baixo apetite por risco no setor de mineração.

Há questionamentos sobre a estabilidade política da Guiné e sobre a eventual autorização do governo para exportações atráves da Libéria, uma rota que é vital para tornar as minas rentáveis. Isso tem dificultado as decisões para investir em grande projetos de minério de ferro, como Mount Nimba e o depósito gigante Simandou, onde a Vale atualmente tem participação.

Uma das fontes disse que ficaria surpresa se visse outra companhia fazer uma oferta pelo projeto depois da desistência da B&A.

Fontes do mercado precificaram o negócio inicialmente entre 500 milhões e 600 milhões de dólares, mas mais recentemente disseram que os valores haviam despencado, devido às perspectivas ruins para os preços do minério de ferro e à crescente cautela das empresas de mineração.   Continuação...