26 de Fevereiro de 2014 / às 00:27 / 3 anos atrás

Câmara encerra sessão sem votar criação de comissão para investigar Petrobras

BRASÍLIA, 25 Fev (Reuters) - O presidente da Câmara do Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), encerrou sessão da Casa nesta terça-feira e impediu a votação de pedido de investigação do envolvimento da Petrobras com empresa holandesa acusada de pagar subornos, cuja aprovação serviria como demonstração de força do bloco de insatisfeitos que inclui partidos da base aliada.

O "blocão", liderado pelo PMDB e formado por outras siglas como PP, PR, Pros, PDT, PSC e PTB e o oposicionista Solidariedade, foi construído para pressionar o governo em votações e também em demandas dos parlamentares e pretendia votar requerimento de criação de comissão externa para acompanhar investigações na Holanda sobre suposto pagamento de propina de empresa holandesa a funcionários da Petrobras.

Henrique Alves disse ter encerrado a sessão da Câmara que debatia o assunto porque já havia prorrogado a discussão por uma hora e que havia outros itens na pauta para votar em uma sessão extraordinária, acertada anteriormente com o colégio de líderes partidários.

"Eu cumpri o que eu tinha acertado com os senhores líderes. Eu não tenho culpa da obstrução regimental (do PT) ter acontecido", disse o presidente, referindo às manobras regimentais adotadas pelo partido da presidente Dilma Rousseff para retardar a votação do requerimento, que deve ser retomada na quarta-feira.

"Não tenho partidarismo na condução da Casa", disse a jornalistas, ao deixar o plenário.

Henrique Alves negou ainda que tenha recebido algum pedido do Planalto e referiu-se à pergunta dos jornalistas sobre um possível contato do Executivo como "desrespeitosa". O presidente afirmou ainda desconhecer o chamado "centrão" como o bloco também tem sido chamado.

O bloco informal conseguiu derrubar alguns requerimentos apresentados pelo PT durante a votação desta terça. Os petistas usavam manobras regimentais para evitar a votação do requerimento para criação de uma comissão externa para investigar as denúncias envolvendo a empresa holandesa e a Petrobras.

Em uma das votações, de um requerimento para retirada de pauta da proposta de investigação, 261 deputados votaram contra o governo, contra apenas 80 que acompanharam a orientação governista.

O bloco reclama da articulação com o governo e da não liberação de emendas parlamentares, principalmente as remanescentes do ano passado.

O clima também sofre os sintomas da proximidade do período eleitoral, além das mudanças ministeriais que Dilma tem promovido para acomodar a base. A pauta trancada na Casa desde o ano passado também tem irritado os parlamentares.

Mais cedo, o bloco de insatisfeitos havia decidido, após reunião na casa do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), votar o pedido de investigação da Petrobras proposto pela oposição, além de definirem apoio a outra proposta que pode desagradar o governo. Trata-se de um projeto de decreto legislativo que pode obrigar as distribuidoras de energia elétrica a ressarcirem quantia bilionária a consumidores.

Na semana passada, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse a jornalistas que a estatal abriu auditoria interna para apurar se há alguma relação da empresa com as denúncias e acrescentou que durante o período da auditoria não iria se pronunciar.

Reportagem de Maria Carolina Marcello

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