Eletropaulo vê solução breve do governo para custos extras das distribuidoras

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014 13:24 BRT
 

SÃO PAULO, 26 Fev (Reuters) - A AES Eletropaulo, distribuidora de energia elétrica que atua no Estado de São Paulo, espera que uma solução do governo federal para os custos extras das distribuidoras relacionados à forte geração térmica e exposição involuntária no mercado de curto prazo seja dada nos próximos dias.

"As tarifas das distribuidoras não têm margem para suportar os custos a que hoje estamos assistindo...a gente espera uma solução para esses próximos dias", disse o presidente da Eletropaulo, Britaldo Soares, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira.

As distribuidoras de energia do país arcam no curto prazo com custos relacionados à forte geração termelétrica e somente repassá-los às tarifas nas datas dos reajustes tarifários. Além disso, o segmento de distribuição está exposto ao custo de compra de energia de curto prazo, já que está descontratado em cerca de 3,5 mil megawatts médios.

No ano passado, as distribuidoras receberam recursos do governo via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para ajudar a cobrir esses custos. Para este ano, o repasse ainda não foi formalizado e especialistas e agentes do setor esperam, em média, um impacto de cerca 1,5 bilhão de reais por mês no caixa das distribuidoras como um todo.

A Eletropaulo tem uma exposição no mercado de curto prazo de 1,5 por cento em 2014, o que Britaldo diz ser um índice abaixo da média o setor. Mas a empresa também tem seu caixa afetado no curto prazo por esses custos relacionados à forte geração térmica.

"Estamos confiantes que uma solução que faça a cobertura dos custos extras que não estão nas tarifas das distribuidoras será alcançada como foi no ano passado", disse Britaldo.

Sobre a situação dos reservatórios das hidrelétricas, que estão em níveis baixos similares aos de 2001, ano do racionamento de energia, Britaldo disse que caso ocorra uma "situação extrema" de racionamento, todo o setor elétrico será afetado e terá que se reequilibrar.

"É difícil enxergar algum agente saindo de um evento dessa natureza, à semelhança do que vimos em 2001, ileso. Os impactos se propagariam por toda cadeia", disse ele, ao acrescentar que o momento é de pensar um reequilíbrio na oferta de energia do setor e flexibilidade da matriz de geração de energia.

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