BC reduz ritmo de aperto monetário e eleva Selic a 10,75%

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014 22:16 BRT
 

BRASÍLIA, 26 Fev (Reuters) - O Banco Central elevou a taxa básica de juros para 10,75 por cento nesta quarta-feira, reduzindo o ritmo de aperto monetário, em um movimento que pode marcar o fim deste ciclo de alta dos juros.

A taxa foi elevada em 0,25 ponto percentual, depois de ter subido 0,5 ponto percentual em cada uma das seis reuniões anteriores. Com isso, a Selic, que chegou no ano passado à mínima histórica de 7,25 por cento ao ano, volta ao patamar que estava em janeiro de 2011, quando a presidente Dilma Rousseff tomou posse.

Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) não explicou o motivo da redução do ritmo de aperto e se restringiu a dizer que a decisão unânime "dá prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado em abril de 2013". A única alteração no comunicado foi a retirada da expressão "neste momento" utilizada na reunião passada.

"Sem dúvida nenhuma, quando ele reduz o passo de 0,50 ponto para 0,25 ponto já é uma sinalização de que o fim do ciclo está próximo e retirar a expressão 'neste momento' também reforça essa ideia", disse o diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello.

Foi a oitava alta seguida da taxa básica de juros do país.

Economistas acreditam que a redução do ritmo do aperto se deve aos sinais de arrefecimento da inflação neste início de ano e da contínua fraqueza da atividade econômica.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial do país, acumula alta de 5,65 por cento em 12 meses até fevereiro. A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Analistas têm reduzido paulatinamente a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano por falta de sinais consistentes de retomada da atividade econômica. De acordo com o mais recente relatório Focus, do Banco Central, a previsão agora é de que a economia cresça 1,67 por cento neste ano.

"A redução do crescimento para 2014 pode estar impactando a decisão do Copom. A apreciação cambial dos últimos 10 dias também deve ter sido um fator importante na decisão de hoje, já que evitará transmissão mais elevada da alta do dólar médio para os preços ao longo de 2014", disse Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, que acredita que o BC ainda não concluiu o ciclo de aperto monetário.   Continuação...