27 de Fevereiro de 2014 / às 00:11 / em 4 anos

BC reduz ritmo de aperto monetário e eleva Selic a 10,75%

BRASÍLIA, 26 Fev (Reuters) - O Banco Central elevou a taxa básica de juros para 10,75 por cento nesta quarta-feira, reduzindo o ritmo de aperto monetário, em um movimento que pode marcar o fim deste ciclo de alta dos juros.

A taxa foi elevada em 0,25 ponto percentual, depois de ter subido 0,5 ponto percentual em cada uma das seis reuniões anteriores. Com isso, a Selic, que chegou no ano passado à mínima histórica de 7,25 por cento ao ano, volta ao patamar que estava em janeiro de 2011, quando a presidente Dilma Rousseff tomou posse.

Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) não explicou o motivo da redução do ritmo de aperto e se restringiu a dizer que a decisão unânime “dá prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado em abril de 2013”. A única alteração no comunicado foi a retirada da expressão “neste momento” utilizada na reunião passada.

“Sem dúvida nenhuma, quando ele reduz o passo de 0,50 ponto para 0,25 ponto já é uma sinalização de que o fim do ciclo está próximo e retirar a expressão ‘neste momento’ também reforça essa ideia”, disse o diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello.

Foi a oitava alta seguida da taxa básica de juros do país.

Economistas acreditam que a redução do ritmo do aperto se deve aos sinais de arrefecimento da inflação neste início de ano e da contínua fraqueza da atividade econômica.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial do país, acumula alta de 5,65 por cento em 12 meses até fevereiro. A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Analistas têm reduzido paulatinamente a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano por falta de sinais consistentes de retomada da atividade econômica. De acordo com o mais recente relatório Focus, do Banco Central, a previsão agora é de que a economia cresça 1,67 por cento neste ano.

“A redução do crescimento para 2014 pode estar impactando a decisão do Copom. A apreciação cambial dos últimos 10 dias também deve ter sido um fator importante na decisão de hoje, já que evitará transmissão mais elevada da alta do dólar médio para os preços ao longo de 2014”, disse Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, que acredita que o BC ainda não concluiu o ciclo de aperto monetário.

O IBGE divulga na quinta-feira o desempenho do PIB no quarto trimestre do ano passado. De acordo com pesquisa Reuters, a expectativa é de que a economia brasileira tenha crescido 0,3 por cento no quarto trimestre ante o trimestre anterior e 1,6 por cento na comparação anual.

Também pode ter contribuído para a redução do ritmo de alta a definição pelo governo de uma meta fiscal considerada exequível para o ano.

“Hoje você tem um discurso mais alinhado entre BC e Fazenda. Ou, pelo menos, há uma tentativa de passar uma ideia de ajuste fiscal efetivo”, disse o diretor de gestão de recursos da corretora Ativa, Arnaldo Curvello.

Pesquisa da Reuters com 54 analistas mostrou que 40 deles previam alta de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta semana, enquanto o restante esperava aumento de 0,50 ponto.

O Copom se reúne novamente em abril e, de acordo com a pesquisa Reuters, a expectativa é de um novo aumento de 0,25 ponto percentual.

“Houve uma pequena alteração no comunicado, e essa alteração procura indicar que não necessariamente o BC terminou o ciclo de aperto monetário e que existe probabilidade bastante razoável de ele seguir na próxima reunião... com mais uma alta de 25 pontos básicos”, disse o economista-chefe do Santander Brasil, Maurício Molan.

“Acho que o mercado vai migrar para essa aposta, com estabilidade depois em 11 por cento ao ano”, acrescentou.

Por Luciana Otoni e Alonso Soto; Reportagem adicional de Bruno Federowski, em São Paulo; e de Silvio Cascione, em Brasília

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