Seca afetará PIB agropecuário do Brasil em 2014, diz Sociedade Rural

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 16:24 BRT
 

SÃO PAULO, 27 Fev (Reuters) - O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária brasileira deverá crescer menos em 2014 do que cresceu em 2013, devido a uma base de comparação maior e em razão da estiagem observada desde o início do ano, disse nesta quinta-feira o novo presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

O PIB da agropecuária subiu 7 por cento em 2013 na comparação com 2012, segundo dados divulgados também nesta quinta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"A base de 2012 é menor no comparativo com 2013, portanto o resultado do ano passado teve esta influência. Em 2012, tivemos estiagem no Sul e no Centro-Oeste, e perdas nas áreas de cana, especialmente em São Paulo", disse o presidente da SRB, Gustavo Junqueira, em entrevista ao Trading Brazil nesta quinta-feira.

Ele disse, no entanto, que ainda não é possível realizar uma estimativa para o percentual de crescimento do PIB da agropecuária em 2014 porque o tamanho das safras e os preços ao longo do ano ainda estão indefinidos.

A falta de chuvas e o tempo seco têm feito produtores e consultorias reduzirem suas projeções para safras brasileiras de soja, milho, café e cana em determinadas regiões.

Por outro lado, há fatores que devem garantir que a produção das propriedades rurais brasileiras cresça este ano, destacou o executivo.

"O mercado chinês... mesmo com uma certa acomodação na demanda, continua bem aquecido, o que é ponto positivo para as nossas exportações. Além disso, os ganhos de produtividade do agro continuam", afirmou Junqueira.

O IBGE também apontou que a economia brasileira como um todo cresceu 2,3 por cento em 2013.

Para 2014, a estimativa da Sociedade Rural Brasileira é de um crescimento do PIB nacional de 1,5 por cento, disse o presidente da entidade.

Junqueira assumiu o comando da SRB no início deste mês. Vem de uma família que fundou duas usinas de cana no interior de São Paulo, e já trabalhou como operador da antiga Bolsa de Mercadorias & Futuros (BMF) e como trader de commodities na multinacional Glencore. Atualmente, atua na agricultura com o cultivo de cana, soja e milho e na pecuária.

(Por Gustavo Bonato)