Dólar sobe 0,88% ante real no dia, mas fecha mês com queda de 2,79%

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 17:08 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 28 Fev (Reuters) - O dólar fechou em alta ante o real nesta sexta-feira devido à decepção com a performance fiscal do Brasil em janeiro, mas ainda abaixo do patamar de 2,35 reais e cravando a primeira queda mensal desde setembro do ano passado.

Mesmo assim, segundo especialistas, ainda é cedo para dizer que o cenário de menos pessimismo sobre as perspectivas domésticas está perdendo força. Mas já há avaliações de que a recente depreciação do dólar pode ter sido exagerada, mesmo num momento de cenário externo benéfico, o que poderia levar a movimentos de alta no curto prazo.

A moeda norte-americana avançou 0,88 por cento no dia, a 2,3450 reais na venda nesta sessão, acumulando queda de 2,79 por cento em fevereiro. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares.

"Os dados fiscais tiraram um pouco do otimismo e mostraram que houve exagero na queda (do dólar)", afirmou o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos. Ele ponderou, contudo, que o governo ainda tem tempo de cumprir a meta fiscal para o ano.

"Não dá para descumprir em janeiro algo que foi anunciado em fevereiro", disse, referindo-se ao compromisso firmado pelo governo de entregar superávit primário de 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, considerado mais crível e que gerou alívio nos mercados financeiros brasileiros.

Nesta sexta-feira, o governo central (governo federal, Banco Central e Previdência) divulgou superávit primário de 12,954 bilhões de reais em janeiro, metade do valor registrado no mesmo mês do ano anterior.

Apesar disso, o superávit primário do setor público consolidado --que além do governo central também inclui Estados, municípios e estatais-- ficou apenas levemente abaixo das expectativas dos analistas, beneficiado pelo saldo positivo recorde dos governos regionais diante da forte transferência de recursos do governo federal.

Por isso, o número não chegou a gerar alívio duradouro no câmbio, já que especialistas avaliam que os repasses são atípicos e esses fundos devem ser gastos ao longo do ano.   Continuação...