Regiões de café de Minas Gerais registram mais um mês de déficit hídrico

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 19:48 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 28 Fev (Reuters) - As áreas de café de Minas Gerais, Estado que responde por cerca de 50 por cento da produção no Brasil, tiveram em fevereiro mais um mês com déficit hídrico, após sofrerem com um janeiro atipicamente seco que causou prejuízos expressivos para a safra 2014/15.

As perdas no Brasil, maior produtor e exportador global de café, fizeram as cotações do arábica em Nova York registrarem em fevereiro o maior ganho mensal em quase duas décadas, com alta superior a 40 por cento.

Em importantes municípios produtores de Minas, como Patrocínio, Três Ponta, Poços de Caldas, Guaxupé, Lavras e Varginha, as chuvas ficaram entre 65 por cento e 91 por cento abaixo da média histórica em fevereiro, segundo dados da Somar Meteorologia.

A escassez de chuvas foi acentuada em Varginha, com o desvio em relação à média de 91 por cento. Choveu somente 18 milímetros no mês, ante 205 milímetros da média histórica para fevereiro no município.

Ainda não há estimativas oficiais das perdas, mas representantes de cooperativas, como a Cooxupé, a maior do país, falam em prejuízo de 30 por cento.

Um estudo do governo de Minas aponta, preliminarmente, problemas de qualidade em boa parte do café arábica da principal região produtora do Estado (Sul de Minas), com índices de até 45 por cento de grãos chochos em algumas áreas.

Em janeiro, as precipitações também decepcionaram, ficando 85 por cento abaixo da média histórica na região de Poços de Caldas e 67 por cento em Varginha.

Dezembro também foi um mês com chuvas abaixo da média nas duas regiões, assim como outubro e agosto de 2013, segundo dados da Somar.

As áreas produtoras de café em São Paulo, terceiro produtor nacional, atrás de Minas e Espírito Santo, também sofreram perdas expressivas por conta da seca.

A safra paulista poderá cair até 20 por cento na temporada 2014/15, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), do governo paulista, que apontou também prejuízos para as lavouras de cana-de-açúcar e laranja.