Gazprom diz que Europa dependerá mais de gás da Rússia nos próximos anos

segunda-feira, 3 de março de 2014 14:30 BRT
 

Por Dmitry Zhdannikov

LONDRES, 3 Mar (Reuters) - A Europa vai se tornar ainda mais dependente do fornecimento de gás da Gazprom nos próximos anos, disse a estatal russa nesta segunda-feira, apesar dos clamores por sanções contra Moscou por conta da crise na Ucrânia.

Com a ação da empresa em queda de mais de 13 por cento em meio à tensão do mercado em relação à estabilidade do fluxo de gás russo através da Ucrânia, a administração da Gazprom se mostrou otimista em sua reunião anual com investidores em Londres.

"A Gazprom aumentou sua fatia de mercado na Europa porque a produção doméstica europeia diminuiu em países como Grã-Bretanha e Noruega... não vemos sinais de que a situação irá mudar na Europa", disse o vice-presidente da estatal, Alexander Medvedev.

A Gazprom, que cobre por mais de quarto da demanda de gás europeia, cortou as exportações para a Ucrânia duas vezes ao longo da última década em meio a discussões de preços com Kiev.

A União Europeia acusou a Gazprom de usar o gás como arma política e disse que buscará diversificar suas fontes de suprimento.

A fatia do mercado europeu de gás da Gazprom aumentou de 25,6 para 30 por cento no ano passado, disse Medvedev, já que a empresa exportou um volume recorde de 162,7 bilhões de metros cúbicos (bcm), enquanto o consumo europeu encolheu.

"A Europa simplesmente não verá a chegada de fornecedores de gás de tal calibre (como Rússia, Noruega ou Argélia) tão cedo", afirmou Medvedev.

A exportação de gás russo para a Europa nos próximos quatro anos deve ser só um pouco menor que em 2013, disse ele. A Ucrânia escoa menos da metade do total do volume russo para a Europa, com o resto indo via Bielorrúsia, sob os Mares Báltico e Negro.   Continuação...

 
Bandeiras ao vento perto de uma tela com o logotipo da companhia Gazprom, em São Petersburgo. A Europa vai se tornar ainda mais dependente do fornecimento de gás da Gazprom nos próximos anos, disse a estatal russa nesta segunda-feira, apesar dos clamores por sanções contra Moscou por conta da crise na Ucrânia. 14/11/2013 REUTERS/Alexander Demianchuk