March 4, 2014 / 4:28 PM / in 3 years

Montadoras temem que desaceleração de emergentes eclipse recuperação europeia

3 Min, DE LEITURA

Carros da Renault aguardam exportação no porto de Koper. A montadora francesa Renault reduziu sua projeção de crescimento no mercado global para este ano, dando sinal de que a indústria está ficando cada vez mais preocupada com a volatilidade dos mercados emergentes, mesmo com um aumento recente na demanda europeia. 16/10/2013Srdjan Zivulovic

Por Laurence Frost

GENEBRA, 4 Mar (Reuters) - A montadora francesa Renault reduziu sua projeção de crescimento no mercado global para este ano, dando sinal de que a indústria está ficando cada vez mais preocupada com a volatilidade dos mercados emergentes, mesmo com um aumento recente na demanda europeia.

Jérôme Stoll, chefe de vendas da Renault, disse nesta terça-feira, na Feira do Automóvel de Genebra, que o grupo espera que as vendas globais aumentem pouco menos que os dois por cento de sua previsão anterior.

"Embora a Europa mostre alguns sinais de recuperação, ao mesmo tempo estamos vendo alguns ventos contrários dos mercados emergentes", afirmou, citando demanda menor que a esperada em Rússia, Argentina, Turquia e Argélia em particular.

Após seis anos de queda nas vendas, o mercado automoblístico europeu finalmente dá sinais de recuperação, já que mesmo os países mais atingidos pela crise da dívida soberana já saem da recessão.

Dados da indústria da segunda-feira mostram que as vendas aumentaram na Alemanha, na Itália e na Espanha, embora tenham caído na França.

Mas alguns mercados emergentes, como Brasil e Rússia, mostraram redução na procura, e os executivos temem que o mais recente surto de volatilidade, desencadeado pela intervenção militar russa na Ucrânia, leve a um enfraquecimento ainda maior.

"Alguns países viram suas moedas se desvalorizarem 20, 30 ou 35 por cento. Isso sempre tem consequências… muito fortes, se você não produz localmente", disse Christian Klingler, chefe de vendas da Volkswagen, maior montadora europeia, à Reuters.

"Somos um grande parceiro comercial da Rússia e estamos olhando para ela e a Ucrânia com preocupação", acrescentou Martin Winterkorn, executivo-chefe da Volkswagen.

Entretanto, os executivos permanecem majoritariamente otimistas com as perspectivas globais da indústria automoblística, apontando a força crescente da demanda na China, o maior mercado de carros do mundo, e a recuperação dos Estados Unidos.

"É uma questão de décimos de ponto percentual", disse Stoll sobre o corte nas projeções de crescimento da Renault.

Stoll afirmou ainda estar confiante na recuperação do mercado francês, apesar da queda nas vendas em fevereiro, e acrescentou que a força da recuperação em países anteriormente atingidos pela crise, como Itália, Portugal e Espanha, foi "uma boa surpresa".

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