BC indica em ata que deve elevar Selic de novo, apesar de melhora da inflação

quinta-feira, 6 de março de 2014 11:58 BRT
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 6 Mar (Reuters) - A inflação, mesmo com os recentes sinais de arrefecimento, continua mostrando resistência e "ligeiramente acima" do esperado e, deste modo, o Banco Central afirmou que é "apropriada" a continuidade dos ajustes na política monetária bem como é preciso seguir "especialmente vigilante", indicando nova alta na taxa básica de juros.

A avaliação foi feita por meio da ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária, divulgada nesta quinta-feira. Apesar de o Copom ter optado por desacelerar o ritmo de alta da Selic, a ata deste encontro tem muitas semelhanças com o documento anterior, de janeiro.

"Não obstante moderação observada na margem, a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava", trouxe a ata divulgada nesta manhã. Na anterior, o BC não mencionava esse arrefecimento nos preços.

"Dessa forma, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ajuste das condições monetárias ora em curso."

O BC reduziu o ritmo de aperto monetário na semana passada, ao elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, a 10,75 por cento ao ano. Nas seis decisões anteriores, havia optado por aumentos de 0,5 ponto da Selic. O atual ciclo de aperto monetário começou em abril passado, quando a taxa básica de juros estava na mínima histórica de 7,25 por cento.

"Não vi nenhuma sinalização de parar (o ciclo de aperto monetário)... A ata veio muito parecida com a anterior", afirmou o economista-chefe do banco J. Safra e ex-secretário do Tesouro, Carlos Kawall, para quem a Selic será elevada em mais 0,25 ponto em abril e depois novamente em dezembro, com mais uma alta de 0,50 ponto, para encerrar o ano a 11,50 por cento.

No mercado de juros futuros, após a divulgação da ata, aumentaram as apostas de mais uma alta da Selic de 0,25 ponto percentual em abril, quando o BC de reúne novamente. Na véspera, elas estavam em 60 por cento, por volta das 11h, passavam a 80 por cento. O restante esperava manutenção da taxa.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial do país, acumulava alta de 5,65 por cento em 12 meses até fevereiro. A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.   Continuação...

 
Bandeiras do Brasil e do Banco Central vistas fora da sede do BC em Brasília. A inflação, mesmo com os recentes sinais de arrefecimento, continua mostrando resistência e "ligeiramente acima" do esperado e, assim, o Banco Central afirmou que é "apropriada" a continuidade dos ajustes na política monetária bem como é preciso seguir "especialmente vigilante". 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino