6 de Março de 2014 / às 13:32 / 4 anos atrás

Quebra de safra de soja do Brasil trava negociações

Por Gustavo Bonato

O fazendeiro Rudelvi Bombarda observa sua plantação de soja em Barreiras, na Bahia. As negociações da safra de soja que está sendo colhida no Brasil desaceleraram nos últimos dias, com produtores segurando as vendas devido a incertezas sobre o volume total a ser produzido no país. 06/02/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

SÃO PAULO, 6 Mar (Reuters) - As negociações da safra de soja que está sendo colhida no Brasil desaceleraram nos últimos dias, com produtores segurando as vendas devido a incertezas sobre o volume total a ser produzido no país.

Expectativas de preços acima dos já elevados patamares, em parte devido a uma produção menor que a esperada no Brasil, também deixam os negócios mais lentos, disseram especialistas e agentes do mercado.

Uma seca no Sul e Sudeste do país e chuvas em excesso em Mato Grosso têm levado a reduções nas projeções da colheita 2013/14, que chegou a ser estimada antes das adversidades climáticas acima de 90 milhões de toneladas, o que seria um crescimento de quase 10 milhões ante a temporada passada.

“O pessoal (em Mato Grosso) está bem preocupado se dá para colher tudo. As estradas estão ruins, os armazéns estão lotados, tem muita soja precisando passar por secagem”, disse o diretor da consultoria SimConsult, João Birkhan, que também trabalha com corretagem de grãos, em Cuiabá.

As vendas no Brasil atingem atualmente cerca de 50 por cento do volume esperado para a temporada, contra 61 por cento das vendas da safra 2012/13 ao final de fevereiro de 2013, segundo levantamento mais recente da consultoria Céleres.

Nos últimos 20 dias, a comercialização da soja 13/14 avançou dois pontos percentuais. Nos 30 dias anteriores, o avanço havia sido de mais de seis pontos, segundo dados da Céleres.

“Estava tudo dentro do esperado, agora (a comercialização) meio que travou. Isso porque produtores estão incertos em relação à produtividade e à produção que vão obter após comentários de perdas”, disse o diretor de Inteligência de Mercado da corretora Cerealpar, Steve Cachia.

Diversas consultorias brasileiras e internacionais vêm reduzindo suas projeções para a safra brasileira nas últimas semanas, citando clima.

A colheita do país já foi estimada acima de 90 milhões de toneladas, mas agora é vista na casa de 87-88 milhões de toneladas.

Na quarta-feira, a empresa de previsão de safras Thomson Reuters Lanworth, com sede em Chicago, reduziu sua estimativa de safra para 87,7 milhões de toneladas, ante 90,2 milhões da estimativa de quinze dias atrás.

FUNDAMENTOS DE ALTA

As incertezas sobre a safra brasileira são um dos fatores que ajudam a sustentar os preços no mercado interno.

Os preços ao produtor em Sorriso (MT), por exemplo, acumularam alta de quase 9 por cento ao longo de fevereiro, segundo dados do Cepea.

“Teoricamente, o mercado interno mais firme estimularia negócios, mas não está acontecendo”, disse Cachia.

Para os analistas, os produtores estão de olho nos fundamentos de mercado, que apontam para preços ainda melhores nas próximas semanas, devido a forte demanda chinesa por soja no mercado internacional --o que ajuda a sustentar os preços na bolsa de Chicago-- e a um câmbio amplamente favorável à conversão dos dólares das exportações em reais.

“Todo mundo se ‘antenou’ agora, porque o mercado tem mais para subir do que para cair... O produtor vai ganhar vendendo tarde”, disse Birkhan.

Estados como Mato Grosso, maior produtor nacional e onde a colheita está bem avançada, normalmente registram uma comercialização acima da média nacional.

As vendas de Mato Grosso atingem 62 por cento da colheita prevista, segundo o relatório mais recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O índice está 10,7 pontos percentuais atrás do registrado há um ano.

Levantamentos do Cepea apontam que os preços em real em praças como Mato Grosso, Rio Grande do Sul e no porto de Paranaguá (PR) estão maiores neste momento do que um ano atrás, quando já eram bastante rentáveis ao produtor.

“Neste ano os produtores estão mais capitalizados, de maneira geral. Assim, eles têm melhores condições de segurar as vendas para tentar obter preços mais elevados, não precisam antecipar tanto a comercialização da safra”, disse a analista da Céleres, Aline Ferro.

No Sul, onde a comercialização antecipada é tradicionalmente mais lenta, os produtores também estão retraídos.

“O destaque deste ano foi o custo de produção mais elevado, e isso somado às preocupações com o clima faz com que o produtor não venha a vender muito”, disse o analista Adelson Gasparin, da Agroinvvesti Corretora, de Passo Fundo (RS).

“O produtor acredita que ainda é possível obter melhores preços.”

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