ENTREVISTA-Meta de superávit plurianual seria um avanço, diz Otaviano Canuto

quinta-feira, 6 de março de 2014 15:17 BRT
 

Por Silvio Cascione

BRASÍLIA, 6 Mar (Reuters) - A política fiscal do Brasil requer ampla revisão dos gastos públicos, que pode incluir a adoção de metas plurianuais de superávit primário ou controle de despesas, avalia o conselheiro e ex-vice presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto.

"Está mais do que na hora de se começar a pensar de maneira plurianual e de se começar a pensar principalmente nas reformas que fazem do resultado primário (apenas) um resultado", disse Canuto em recente entrevista à Reuters por telefone.

A falta de transparência da política fiscal do Brasil é um dos principais motivos de insatisfação de investidores e empresários com a atual política econômica. As metas de superávit primário são definidas ano a ano, flexibilizadas com o uso de abatimentos previstos em lei, e perseguidas nos últimos anos com o uso de manobras contábeis.

O governo de Dilma Rousseff tem tentado recuperar credibilidade junto ao mercado com a promessa de cumprir a meta de superávit primário de 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano sem recorrer a nenhum artifício contábil. Mas o debate, segundo Canuto, não pode ficar preso ao curto prazo, pois tira o foco de medidas que poderiam estimular o crescimento potencial da economia.

"Todo mundo se esquece que o fato de o PIB brasileiro ter uma parcela tão grande de contribuição do setor público, resultado de uma opção democrática do país, faz da eficiência do setor público um componente brutal da produtividade dos nossos fatores", disse o economista, em Washington.

A política fiscal contrasta com o regime de metas de inflação, em que o objetivo do Banco Central é normalmente definido para dois anos à frente.

Vários economistas do setor privado já afirmaram que, para garantir a estabilidade da dívida em relação ao PIB e para restaurar a confiança de investidores, o Brasil precisará buscar uma meta mais alta de superávit primário a partir do ano que vem. A agência de risco Moody's, por exemplo, disse que a meta precisa subir a pelo menos 3 por cento.

"Qualquer evolução em direção ao horizonte multitemporal é, de fato, um avanço", disse Canuto.   Continuação...