7 de Março de 2014 / às 00:42 / em 4 anos

Brasil tem déficit comercial recorde para fevereiro, de US$2,1 bi

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 6 Mar (Reuters) - A balança comercial brasileira registrou déficit recorde para o mês de fevereiro, de 2,125 bilhões de dólares, puxado pela queda nas exportações e aumento das importações de petróleo e bens de consumo duráveis, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta quinta-feira.

Com isso, a balança fechou o primeiro bimestre do ano com déficit também recorde de 6,183 bilhões de dólares, indicando que valorização de 15 por cento do dólar ante o real no ano passado ainda não refletiu no aumento da competitividade dos produtos brasileiros.

“Precisamos que o câmbio se estabilize para que os empresários e os exportadores possam planejar negócios”, disse a jornalistas o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho, acrescentando que em situações similares levou dois anos para o refletir na melhora das exportações.

Apesar de ser recorde para meses de fevereiro, o resultado do mês passado foi melhor do que o esperado por analistas consultados pela Reuters, que previam déficit de 3,05 bilhões de dólares.

As importações somaram 18,059 bilhões de dólares no mês passado, queda de 3,4 por cento em relação a fevereiro de 2013 pela média por dia útil, enquanto as exportações recuaram 7,8 por cento na mesma comparação, para 15,934 bilhões de dólares.

As importações de petróleo foram as que mais subiram no mês passado, com alta de 30,4 por cento pela média diária, a 1,616 bilhão de dólares. O aumento das importações em fevereiro ocorreu após a produção da Petrobras no país ter recuado em janeiro.

“Não há nada que justifique o forte crescimento (das importações de petróleo) em fevereiro de forma isolada”, disse Godinho, reconhecendo, no entanto, que esse movimento afetou o resultado global da balança no mês passado.

Depois de petróleo, as compras de bens de consumo duráveis foram as que mais subiram em fevereiro, com alta de 12 por cento. Segundo o secretário, o aumento das importações de bens de consumo duráveis foi influenciado por itens vinculados à Copa do Mundo, como eletroeletrônicos, num movimento que tende a se manter até maio.

Já as importações de bens de capital recuaram 13,1 por cento, enquanto compras de matérias primas e bens intermediários recuaram 5,1 por cento.

Do lado das exportações houve queda em todas as categorias de produtos, com recuo de 9,2 por cento nos embarques de manufaturados, de 8,7 por cento de semimanufaturados e de 8,5 por cento de básicos.

Segundo Godinho, as exportações brasileiras seguem influenciadas pela queda dos preços das commodities, como soja, milho, açúcar e petróleo.

O Brasil também está sofrendo o impacto da crise na Argentina, que reduziu no primeiro bimestre as importações de automóveis e autopeças brasileiras em 24 por cento.

“Estamos estudando vários mecanismos para manter as exportações para a Argentina”, disse o secretário, que não antecipou quais medidas poderão ser adotadas.

No primeiro bimestre, as importações somaram 38,143 bilhões de dólares, com queda de 1,4 por cento ante o mesmo período do ano passado pela média diária, enquanto as exportações recuaram 3,4 por cento, para 31,960 bilhões de dólares.

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