ANÁLISE-Foco de empresas do Brasil em eficiência passa por menos investimento em 2014

segunda-feira, 10 de março de 2014 15:47 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Após vários trimestres de tesoura afiada sobre as despesas, as iniciativas de empresas abertas de vários setores para lidar com o prolongado cenário de baixo crescimento da economia brasileira estão se espraiando para outro alvo: o investimento.

Até agora o anúncio de alta do investimento foi artigo raro entre as que publicaram resultados do quarto trimestre. E quem pretende manter o ritmo o fará preterindo planos de aumento da produção para melhorar a eficiência, ou buscando mais receitas no exterior para ficar menos dependente da economia doméstica.

É o caso de empresas dos setores siderúrgico, petroquímico, de açúcar e álcool, alimentício, varejista e até financeiro.

"O investimento agora não vai ser direcionado para aumento de produção, mas para produtividade", disse Claudio Galeazzi, presidente executivo da BRF, que planeja investir 1,5 bilhão de reais neste ano, mesmo montante de 2013.

É uma receita parecida com a de líderes setoriais como CSN, Pão de Açúcar, Vale, Braskem, Telefônica Brasil Petrobras, e Cosan.

Embora cada caso reflita também questões específicas das empresas, a convergência para um caminho comum reflete o ambiente no qual o controle de despesas --mantra repetido à exaustão nas conferências com analistas-- já não é suficiente.

"Não tem outro jeito, tem que segurar os investimentos", resumiu o vice-presidente da Abrasca, entidade que representa as empresas abertas. "Se o investimento for igual ao de 2013 já está ótimo", disse à Reuters.

O movimento coincide com a sinalização de menor apoio estatal ao investimento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem admitido que deve emprestar menos do que o recorde de 190,4 bilhões de reais de 2013.   Continuação...