12 de Março de 2014 / às 00:05 / 4 anos atrás

Distribuidoras garantem adimplência após ajuda parcial do governo

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 11 Mar (Reuters) - As distribuidoras de eletricidade do Brasil garantiram o cumprimento de suas obrigações no mercado de curto prazo de energia nesta terça-feira, após o repasse pelo governo federal de 1,2 bilhão de reais e tendo ainda que desembolsar mais de 800 milhões de reais.

A necessidade total de recursos das distribuidoras de energia para honrar operações realizadas em janeiro no mercado de curto prazo de energia foi de cerca de 2 bilhões de reais, segundo a associação dessas concessionárias, a Abradee.

Os recursos repassados pelo Tesouro Nacional foram apenas para gastos das distribuidoras em janeiro com a compra de energia para cobrir a descontratação de cerca de 3,5 gigawatts (GW) médios -- energia que não conseguiu comprar no leilão de energia existente realizado em dezembro de 2013.

O presidente da Abradee, Nelson Fonseca Leite, explicou que as empresas tiveram outros gastos de exposição involuntária -- pelo atraso da entrada em operação de térmicas do grupo Bertin e da hidrelétrica Jirau -- que não foram cobertos pelo governo via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O aporte do governo também não cobriu outros custos relacionados à geração térmica.

Agentes do setor elétrico e investidores estão preocupados desde o início do ano com as condições das distribuidoras para arcar com as despesas, diante da expectativa de altos desembolsos de caixa com energia no curto prazo, em um momento de forte geração termelétrica para ajudar no suprimento de energia do país.

O repasse do governo anunciado no final da semana passada resolveu o problema apenas em parte, já que não foram formalizadas medidas para o restante do ano.

Especialistas do setor calculam que os gastos das distribuidoras podem ficar em cerca de 18 bilhões de reais no ano. A Abradee está revisando suas projeções, segundo Fonseca Leite, e ainda não tem uma estimativa oficial.

No final do ano passado, considerando o preço de energia de curto prazo (Preço de Liquidação de Diferenças - PLD) entre 190 e 290 reais por megawatt-hora, a Abradee estimou que os gastos poderiam chegar a 13 bilhões de reais. Mas essa projeção já está desatualizada já que em janeiro o PLD médio foi de cerca de 380 reais e em fevereiro, de 822 reais, segundo Fonseca Leite.

No limite, os gastos das distribuidoras podem chegar a cerca de 20 bilhões de reais nos 11 meses restantes do ano, considerando que o PLD fique no máximo regulatório ao longo de 2014 (822,83 reais por MWh). As distribuidoras arcam mensalmente com os gastos com energia para apenas repassá-los aos consumidores nas datas de ajustes das tarifas.

“As distribuidoras não têm condição de carregar isso até a data do evento tarifário, por isso que é necessário o aporte de recursos na CDE. Nós reconhecemos a importância dessa medida que resolveu de forma parcial, mas continuamos na busca de soluções sustentáveis”, disse Leite à Reuters nesta terça-feira.

O presidente da Abradee acrescentou que a sinalização do governo é de que a solução para os altos gastos de curto prazo das distribuidoras deva ser equilibrada -- uma mistura de aporte de recursos do Tesouro e repasse de valores para a tarifa dos consumidores.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, afirmou nesta terça-feira que até o fim de março deverá sair a decisão sobre como o governo vai tratar a exposição das distribuidoras aos gastos com eletricidade de termelétricas.

As distribuidoras tinham até o fim desta terça-feira para aportar as garantias referentes às suas operações no mercado de curto prazo de energia de janeiro, o que ocorreu normalmente, segundo Fonseca Leite. O resultado da liquidação deve ser divulgado ainda nesta semana pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

As ações da maioria das empresas que atuam no segmento de distribuição de energia no país fecharam em alta no pregão desta terça-feira, com exceção da Eletropaulo, que caiu 2,58 por cento.

Reportagem adicional de Leonardo Goy, em Brasília

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