March 12, 2014 / 12:52 PM / 3 years ago

IPCA sobe 0,69% em fevereiro com educação e vai a 5,68% em 12 meses

4 Min, DE LEITURA

Um consumidor olha preços de alimento em um supermercado em São Paulo. Pressionado pelos preços de Educação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta em fevereiro a 0,69 por cento, um pouco acima do esperado e voltando a subir no acumulado em 12 meses. 10/01/2014Nacho Doce

Por Walter Brandimarte e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - Pressionado pelos preços de Educação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta em fevereiro a 0,69 por cento, um pouco acima do esperado e mantendo o sinal de alerta ao voltar a subir no acumulado em 12 meses.

Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a inflação oficial do país atingiu 5,68 por cento em 12 meses, ante 5,59 por cento em janeiro, quando havia avançado 0,55 por cento na comparação mensal.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Os resultados ficaram ligeiramente acima da expectativa em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,65 por cento em fevereiro na comparação mensal e de 5,64 por cento em 12 meses.

Segundo o IBGE, o principal responsável pelo resultado de fevereiro foi o grupo Educação, com impacto de 0,27 ponto percentual ao registrar alta mensal de 5,97 por cento em fevereiro. Em janeiro, a alta havia sido de 0,57 por cento.

"(A alta) muito concentrada no grupo Educação. Quando a gente olha a série histórica, trocamos 0,6 por cento de fevereiro de 2013 por 0,69 por cento este ano", explicou a jornalistas a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Essa aceleração reflete principalmente os reajustes nas mensalidades de cursos regulares, que subiram 7,64 por cento e exerceram a maior pressão individual no mês, com 0,22 ponto percentual.

Alimentos

Embora a alta nos preços de Alimentação e Bebidas tenha desacelerado em fevereiro para 0,56 por cento, ante 0,84 por cento em janeiro, este foi o segundo grupo com maior impacto no índice do mês, com 0,14 ponto percentual, ainda segundo o IBGE. Em janeiro, o impacto havia sido de 0,21 ponto.

O alívio nos preços deveu-se aos alimentos comprados para serem consumidos em casa, que subiram 0,22 por cento em fevereiro, sobre 0,90 por cento no mês anterior.

"Alimentos foram responsáveis por conter a taxa (de inflação) diante da pressão do grupo educação... O grupo dos alimentos é o mais importante no orçamento das famílias. Ele não exerceu a pressão que havia exercido no mês passado", completou Eulina, acrescentando que apesar da recente seca, alguns preços de alimentos recuaram.

"Você não tem uma boa explicação para isso. Mas no caso do feijão, por exemplo, a oferta foi muito grande porque o pessoal plantou muito. A seca às vezes prejudica a qualidade do grão e isso torna o preço mais barato", afirmou ela. Os preços do feijão carioca caíram quase 4,5 por cento no mês passado.

Mesmo assim, o sinal amarelo sobre possíveis efeitos da seca continua aceso. A primeira prévia de março do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) mostrou forte pressão dos preços no atacado, com avanço de quase 4 por cento dos produtos agropecuários, o que levou o índice a acelerar a alta a 1,16 por cento no período.

"Isso não aparece ainda no IPCA, mas ao longo do ano esse pode ser o fator de risco para a inflação", destacou o economista da corretora Votorantin, Guilherme Maia.

viés De Alta

Com a expectativa de alta contínua nos preços de serviços e aumento dos custos de energia com os baixos níveis da hidrelétricas, a inflação pode ir a mais de 6 por cento em meados do ano, segundo analistas.

Esse cenário continua mesmo com o índice de difusão do IPCA de fevereiro ter recuado, ao atingir 63,6 por cento, ante 71,5 por cento em janeiro, segundo Maia.

Embora tenha reduzido o ritmo de aperto monetário ao elevar recentemente a Selic em 0,25 ponto percentual, para 10,75 por cento, o Banco Central afirma que com esse cenário de inflação é preciso seguir "especialmente vigilante" no que se refere à política monetária.

Economistas veem nova elevação de 0,25 ponto em abril, encerrando o ciclo de aperto com a taxa básica de juros a 11 por cento no fim de 2014, de acordo com a pesquisa Focus do BC.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below