12 de Março de 2014 / às 20:23 / 3 anos atrás

Dólar interrompe quatro altas consecutivas e cai 0,35% ante real

SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - O dólar interrompeu série de quatro altas consecutivas e fechou em queda ante o real nesta quarta-feira, refletindo a desvalorização da divisa dos Estados Unidos em diversas praças internacionais.

Mas a moeda norte-americana teve oscilações pequenas durante todo o pregão doméstico. Investidores evitaram fazer grandes apostas diante de dúvidas sobre os recursos captados pela Petrobras nesta semana.

O dólar fechou em queda de 0,35 por cento, a 2,3592 reais na venda, após bater 2,3744 reais na máxima e 2,3560 reais na mínima do dia. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares.

"Lá fora, o contexto continua sendo de preocupação, com a China e com a Ucrânia. Mas, no fim da tarde, o cenário externo deu uma aliviada e isso se refletiu nessa queda (do dólar)", disse o economista da Lerosa Investimentos Carlos Vieira.

Após apreciar-se durante boa parte do pregão, a divisa dos EUA perdia terreno sobre o rand sul-africano, o peso mexicano, o euro, entre outros. Esse alívio nos mercados internacionais ocorreu após sinais de progresso nas tentativas diplomáticas para arrefecer as tensões na Ucrânia.

As moedas emergentes vêm sendo fortemente pressionadas nas últimas sessões por incertezas sobre o crescimento econômico chinês e a situação política da Ucrânia. Nesse contexto, o real não tem sido exceção. Nas últimas quatro sessões, o dólar avançou 2,06 por cento sobre a moeda brasileira.

Apesar disso, dados do Banco Central mostraram que o Brasil registrou entrada líquida de 2,702 bilhões de dólares na primeira semana de março, devido principalmente ao saldo positivo de 2,505 bilhões de dólares na conta financeira.

Durante a tarde, o presidente do BC, Alexandre Tombini, reforçou o contexto de entrada de recursos, afirmando que, em fevereiro, houve ingresso líquido de 9,2 bilhões de dólares em renda fixa, bolsa e Investimento Estrangeiro Direto (IED).

PETROBRAS

Na primeira parte do pregão desta quarta-feira, o cenário externo negativo persistiu, mas não chegou a ser suficiente para impulsionar o dólar no mercado doméstico. Isso deveu-se, segundo analistas, à cautela dos investidores diante da possível entrada de recursos da Petrobras.

"Temos que esperar para ver se os recursos da Petrobras serão internalizados ou se serão usados para pagar dívida lá fora. Temos de ficar de olho nisso até o fim do mês", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

A petroleira precificou, na segunda-feira, oferta de 8,5 bilhões de dólares em bônus no exterior, em seis tranches com vencimentos entre três e 30 anos, com a demanda pelos papéis superando os 22 bilhões de dólares.

Entre as mesas de câmbio, discute-se a possibilidade de a estatal manter no exterior boa parte desses recursos com o objetivo de rolar a dívida em moeda estrangeira.

Também ajudou a segurar a volatilidade a constante atuação do BC no câmbio. Nesta sessão, o vendeu oferta total de até 4 mil swaps cambiais --equivalentes a venda futura de dólares-- em suas intervenções diárias, todos com vencimento em 1º de dezembro deste ano, com volume correspondente a 197,8 milhões de dólares. A autoridade monetária também ofertou contratos para 1º de outubro, mas não vendeu nenhum.

Além disso, fez mais um leilão de swaps para rolagem, vendendo a oferta total de até 10 mil contratos. No total, o BC já rolou o equivalente a 1,478 bilhão de dólares, ou pouco menos de 15 por cento do lote total que vence no próximo mês, correspondente a 10,148 bilhões de dólares.

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