Preocupação de empresários com custo da energia domina encontro com Mantega

quarta-feira, 12 de março de 2014 19:27 BRT
 

Por Luciana Otoni e Nestor Rabello

BRASÍLIA, 12 Mar (Reuters) - Dirigentes de grandes companhias e representantes de importantes setores produtivos do Brasil deixaram o encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira, em Brasília, sem dar sinais concretos de melhora da economia, mas manifestando grande preocupação com o setor elétrico e com riscos de aumento dos custos com energia.

Durante longa reunião de análise sobre a capacidade de crescimento da economia brasileira, integrantes do grupo de 18 participantes, entre empresários e dirigentes setoriais, questionaram o ministro sobre se o custo elevado da energia pelo acionamento das usinas térmicas será repassado ao setor produtivo.

Os empresários levantaram dúvidas, ainda, sobre a disponibilidade de energia, apesar de reconhecerem que o risco de racionamento é pequeno.

"Comentamos ao ministro que existe preocupação com relação ao setor elétrico", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade. "Estamos pedindo que não haja esse aumento de custo e o governo tem que encontrar mecanismos que não penalize a indústria."

O baixo nível dos reservatórios das principais hidrelétricas do país levou ao aumento da geração de energia térmica, aumentando o custo da energia para as distribuidoras no curto prazo.

O governo anunciou na sexta-feira o repasse de 1,2 bilhão de reais do Tesouro Nacional às distribuidoras de energia, via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). para ajudá-las a cobrir os gastos com a energia mais cara em janeiro. Mas não definiu ainda como irá proceder no restante do ano, mantendo a incerteza sobre a questão energética.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, disse que durante o encontro, Mantega descartou o rompimento de contratos do setor elétrico para lidar com gastos adicionais pelo acionamento de térmicas.

"O ministro mencionou que nenhuma medida intervencionista será feita na área de energia elétrica e serão tomadas medidas que respeitam a estrutura dos contratos", disse o presidente da Abdib a jornalistas, ao deixar a reunião.   Continuação...