Mercado de crédito no Brasil se conformou com inadimplência alta, diz estudo

quarta-feira, 12 de março de 2014 21:33 BRT
 

SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - Embora tenha caído nos últimos dois anos, a inadimplência do consumidor no Brasil segue alta para padrões internacionais, refletindo uma cultura persistente de gastar mais do que a renda, apontou a empresa de informações de crédito Serasa Experian em estudo divulgado nesta quarta-feira.

Segundo o levantamento, em 2013 somente a Serasa computou 23,5 milhões de pessoas com dívidas vencidas com prazo acima de 90 dias --crescimento de 0,9 por cento em relação ao ano anterior e de 26 por cento sobre 2010.

O número de registros de inadimplentes do país no ano passado equivale a mais do que as populações de Chile e Paraguai somadas e é quase o equivalente à população economicamente ativa (PEA) do Brasil em dezembro, de 24,4 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Apesar da queda recente, a inadimplência segue alta e reflete uma cultura de consumidores gastarem mais do que ganham", disse à Reuters o presidente da Serasa, Ricardo Loureiro, para quem o mercado brasileiro acabou se conformando com esses níveis elevados de calotes.

Segundo a instituição, enquanto a inadimplência das pessoas físicas no Brasil fechou 2013 em 6,7 por cento, no México estava em 5,3 por cento, nos Estados Unidos em 2,4 por cento e no Chile, em 2,1 por cento.

O estudo também mostra que 36,6 por cento das pessoas que deixaram a lista de inadimplentes em 2012 voltaram a ela no ano passado, mostrando uma forte reincidência.

Por outro lado, a Serasa Experian afirmou ter percebido uma tendência de leve melhora nesse indicador, já que a reincidência foi de 38,9 por cento em 2012 e de 39,4 por cento em 2011.

De todo modo, disse Loureiro, o quadro é incômodo e sinaliza para a necessidade do uso de ferramentas de classificação de crédito, como o cadastro positivo, em que tomadores com histórico de adimplência podem se beneficiar de taxas de juros mais baixas nos financiamentos.

Regulamentado desde o fim de 2012, o cadastro positivo ainda não engrenou no país, com credores receosos de serem alvos de processos judiciais por parte de tomadores que se sintam prejudicados pelo mau uso de seus dados. A Serasa diz já ter um banco com mais de 600 mil consumidores que espontaneamente pediram para ter seus nomes no cadastro positivo da companhia.   Continuação...