March 13, 2014 / 12:47 PM / 3 years ago

Vendas no varejo brasileiro sobem 0,4% em janeiro, melhor que o esperado

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Uma mulher procura roupas em uma loja no Brás, em São Paulo. As vendas no comércio varejista brasileiro avançaram 0,4 por cento em janeiro na comparação com o mês anterior, resultado melhor do que o esperado e suficiente para reverter a contração vista em dezembro e que havia interrompido nove meses seguidos de expansão. 09/08/2013Nacho Doce

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 13 Mar (Reuters) - As vendas no comércio varejista brasileiro avançaram 0,4 por cento em janeiro na comparação com o mês anterior, resultado melhor do que o esperado e suficiente para reverter a contração vista em dezembro mas que não altera a tendência de crescimento moderado do consumo.

Sobre um ano antes, as vendas subiram 6,20 por cento em janeiro, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Em dezembro, as vendas haviam recuado 0,2 por cento na comparação mensal, interrompendo nove meses seguidos de expansão.

Ambos os resultados ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, cujas medianas indicavam queda de 0,30 por cento na comparação mensal e alta de 4,60 por cento ante janeiro de 2013.

"Não é um dado ruim, mas também não surpreende muito, que diga que o setor está superaquecido. Existe uma moderação do consumo", avaliou a economista do ABC Brasil Mariana Hauer.

A desaceleração das taxas no acumulado em 12 meses confirmam a perda de fôlego, segundo o IBGE. Em janeiro de 2013 o comércio acumulava alta de 8,3 por cento em 12 meses, caiu a 7,4 por cento no mês seguinte e foi diminuindo progressivamente até atingir 4,3 por cento em janeiro deste ano.

"O que vemos é um ritmo menor e até um decrescimento em algumas atividades devido a fatores como preços mais altos, linhas de crédito menores e mais caras, juros mais elevados e renda subindo menos", avaliou a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

O comércio brasileiro tem convivido com cenário pouco alentador, em meio à inflação e juros elevados, o que tem afetado a confiança dos consumidores. Em janeiro e em fevereiro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a confiança recuou, fechando o mês passado no menor nível desde 2009.

Embora o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado tenha ficado melhor do que o esperado, ao expandir 2,3 por cento, agentes econômicos ainda não acreditam que a economia brasileira vai mostrar recuperação melhor em 2014. Pesquisa Focus do Banco Central aponta expectativa de crescimento de 1,68 por cento.

Supermercados

Segundo o IBGE, seis das oito atividades pesquisadas no varejo restrito subiram na comparação mensal, sendo os principais destaques Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6 por cento) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,2 por cento).

Também chamou a atenção dos analistas, entretanto, foi a alta em janeiro de 1 por cento de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, após avanço de 0,7 por cento em dezembro.

"A expectativa era de uma queda nesse indicador, o que levou muitos a trabalhar com dado negativo para o varejo como um todo. Foi o principal ponto de surpresa", disse o economista sênior do Banco de Tokyo-Mitsubishi Carlos Pedroso.

Segundo o IBGE, os consumidores voltaram a comprar principalmente alimentos com mais força nos supermercados porque a inflação desses produtos passou a ficar mais alinhada com o IPCA, quando antes os preços estavam acima da inflação.

"O custo da refeição em domicílio perdeu força e o consumidor está menos refém dos preços dos alimentos", disse Aleciana, do IBGE.

Nas contas do IBGE, a refeição em domicílio acumulava em 12 meses 6 por cento em janeiro, enquanto o IPCA era de 5,6 por cento.

A receita nominal do varejo, por sua vez, registrou alta de 0,90 por cento em janeiro sobre dezembro e avanço de 12,5 por cento sobre um ano antes.

Já o volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, apresentou alta de 2,1 por cento na comparação mensal, nível mais alto desde outubro de 2012 (7,3 por cento), com destaque para o avanço de 1,9 por cento nas vendas de Veículos e motos, partes e peças.

"Apesar do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros estar subindo, ainda há muitas concessionárias com estoques a preços mais baixos, o que de certa forma pode ter estimulado a demanda", explicou Aleciana.

Reportagem adicional de Walter Brandimarte, no Rio de Janeiro

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