March 13, 2014 / 5:04 PM / 3 years ago

Safra 13/14 do Brasil registra fila menor de navios para exportação de soja

5 Min, DE LEITURA

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 13 Mar (Reuters) - As filas de navios aguardando para carregar soja e farelo de soja nos principais portos brasileiros está 21 por cento menor este ano na comparação com 2013, devido à ajuda do clima e a um embarque menor de milho, mas o tempo de espera das embarcações continua elevado.

Neste momento de início do escoamento da safra 2013/14 de soja, há 104 navios ancorados na região dos quatro principais portos graneleiros do país, contra 131 na mesma época do ano passado, segundo dados da SA Commodities, empresa que realiza pesquisas no setor de transporte marítimo.

A análise compreende os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS) e São Francisco do Sul (SC).

"Neste ano houve menor exportação de milho, o que permitiu que a soja entrasse no movimento de exportação do porto com mais agilidade", disse à Reuters a analista da SA Commodities, Nicolle Castro.

As exportações de milho pelo Brasil em fevereiro ficaram em 1 milhão de toneladas, equivalente a um terço do exportado em janeiro e menos da metade do embarcado em fevereiro de 2013.

Por outro lado, as exportações de soja bateram no mês passado um recorde para fevereiro, a 2,79 milhões de toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Especialistas lembram ainda que, no início de 2013, após uma colheita reduzida nos Estados Unidos devido a uma seca histórica, houve uma corrida aos portos brasileiros em busca de suprimentos, o que gerou filas recordes no litoral do país.

Neste ano, a demanda por soja continua aquecida, especialmente por parte da China, mas as exportações de milho perderam impulso, devido ao preço baixo, entre outros fatores.

"Os importadores, em função de todos os problemas do ano passado, também optaram por um escalonamento maior, inclusive comprando volumes acima do normal nos EUA, se prevenindo contra atrasos nos portos brasileiros", destacou o analista Flávio França Júnior, associado à consultoria Safras & Mercado.

"Os volumes estão elevados, mas no ano passado vendeu tudo na mesma época, todo mundo queria embarcar ao mesmo tempo."

A lista de navios agendados para atracar nos portos brasileiros em março aponta que as exportações de soja este mês devem continuar muito aquecidas, ficando perto de 5,5 milhões de toneladas, segundo dados da agência marítima Williams.

Em março de 2013, o Brasil embarcou 3,5 milhões de toneladas da oleaginosa, segundo a Secex.

Clima

O tempo seco do início do ano no Sul e Sudeste do país foi outro fator que ajudou o Brasil a embarcar mais soja e reduzir as filas.

Em caso de chuva, os navios precisam fechar os porões e interromper o carregamento para evitar umidade na carga.

Segundo a SA Commodities, cada dia sem embarques em Santos impede o carregamento de 300 mil toneladas. Em Paranaguá, são mais 115 mil toneladas.

"O clima de fevereiro contribuiu muito para que as exportações tivessem um fluxo melhor", disse Nicolle Castro.

Em fevereiro, houve uma redução significativa nas chuvas em Santos e Paranaguá, os dois portos mais movimentados nesta época do ano, segundo dados da Somar Meteorologia.

Santos registrou 143 milímetros e 15 dias com chuva no mês passado, contra 275 milímetros e 23 dias com chuva em fevereiro de 2013. Já em Paranaguá, foram 168 milímetros em fevereiro, com 15 dias de chuva, contra 219 milímetros e 25 dias com chuva no mesmo mês do ano passado.

Tempo De Espera

Apesar de filas menores, o tempo que os navios precisam esperar ancorados ao largo antes de atracar para carregar nos terminais continua elevado.

Os 63 navios que aguardam em Paranaguá deverão levar em média 53 dias, podendo passar de 70 dias em alguns casos.

Em Santos, onde há mais terminais e berços de atracação, a espera dos 26 navios de soja e farelo é de 21 dias em média, variando de 7 a 46 dias.

"Mesmo com filas menores, não é uma situação confortável. Paranaguá continua com atrasos, Santos também", avaliou França Jr. "Este ano a postura do comprador é mais cautelosa. O Brasil não consegue embarcar e por isso compra dos EUA."

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