Leilão de energia existente é essencial para sucesso de medidas no setor elétrico

sexta-feira, 14 de março de 2014 13:38 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de energia que o governo federal fará em abril para cobrir a descontratação das distribuidoras de eletricidade é essencial para que as medidas anunciadas pelo governo na quinta-feira para socorrer essas companhias tenham sucesso, afirmam especialistas do setor.

A maior parte dos gastos das distribuidoras que impactam o fluxo de caixa no curto prazo está relacionado à descontratação de 3,5 gigawatts (GW) médios em energia, volume que as concessionárias estão tendo que contratar a preços altos baseados na forte geração termelétrica cara.

Ao realizar um leilão de energia existente para entrega a partir de maio, o governo busca permitir que as distribuidoras contratem energia a valores mais baixos por prazos mais longos, evitando que tenham que ficar expostas à contratar energia com base no preço de curto prazo, o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que está atualmente em valores elevados, à 822,23 reais no Sudeste/Centro-Oeste e Sul.

Mas para que o leilão dê certo, o governo federal também terá que permitir que sejam praticados preços que atraiam os geradores a ofertar a energia no certame -- evitando que ocorra falta de oferta de energia conforme aconteceu em leilões desse tipo no ano passado.

"O sucesso das medidas vai depender do sucesso do leilão que vão fazer. Se o leilão tiver sucesso e acabar com a exposição involuntária das distribuidoras, pode ser que se resolva. Se der vazio, pode ser que o aporte que será feito pelo Tesouro não seja o suficiente", disse o gerente de regulação da Safira Gestão e Consultoria, Fábio Cuberos.

O governo anunciou na quinta-feira que devem ser necessários cerca de 12 bilhões de reais, no total, para cobrir os gastos das distribuidoras no ano, considerando que o leilão dê certo e que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) conseguirá empréstimos no mercado de até 8 bilhões de reais para cobrir parte dos gastos. O Tesouro Nacional entrará com aporte de 4 bilhões de reais.

Parte desses valores já deverão ter que ser repassados às distribuidoras até maio -- quando começaria a ser entregue a eletricidade contratada no leilão de energia existente previsto para 25 de abril.

Desde o ano passado, as distribuidoras estão com um grande volume de energia descontratada. A maior parte dessa descontratação está relacionada ao fato de algumas geradoras -- Cemig, Copel e Cesp, por exemplo -- não terem aceitado renovar antecipadamente as concessões conforme regras propostas pelo governo federal.   Continuação...

 
Vista da hidrelétrica de Furnas em Minas Gerais. O leilão de energia que o governo federal fará em abril para cobrir a descontratação das distribuidoras de eletricidade é essencial para que as medidas anunciadas pelo governo na quinta-feira para socorrer essas companhias tenham sucesso, afirmam especialistas do setor. 14/01/2013 REUTERS/Paulo Whitaker