March 14, 2014 / 6:54 PM / 3 years ago

Suzano tem prejuízo no 4º tri; foca em reduzir endividamento em 2014

5 Min, DE LEITURA

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO (Reuters) - A fabricante de papel e celulose Suzano teve prejuízo no quarto trimestre, pressionada pela valorização do dólar ante o real, e espera agora reduzir seu nível de endividamento com a entrada em operação de sua fábrica de celulose no Maranhão.

Apenas em 2013, a empresa investiu 1,9 bilhão de reais na construção da unidade em Imperatriz (MA), cujas operações tiveram início no fim de dezembro de 2013. Com isso, a dívida líquida atingiu 4,9 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), um nível bem acima do registrado pelas outras duas empresas do setor com ações em bolsa.

"A entrada em operação no Maranhão... vai permitir ao longo do ano a gradativa desalavancagem da empresa. E esse é principal foco", afirmou o presidente da Suzano, Walter Schalka, em teleconferência com analistas.

A dívida líquida da Suzano somava 9,187 bilhões de reais ao fim do ano passado, um aumento de 44 por cento sobre o fim de 2012.

Segundo Schalka, a unidade de Maranhão, que tem capacidade para 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano, deverá produzir 1,1 milhão de toneladas neste ano. As vendas são estimadas em 1 milhão de toneladas.

"Fizemos embarques em fevereiro e março para os Estados Unidos (a partir de Maranhão) e temos embarques para a Ásia em março", disse ele, em teleconferência com jornalistas.

O executivo afirmou que a produção no primeiro trimestre deste ano na unidade deve ficar entre 150 mil e 160 mil toneladas, mas poderia ser maior não fosse o atraso na entrada em operação de uma ferrovia que liga a fábrica até o Porto de Itaqui (MA).

"A ferrovia só entrou em operação no início de março, e isso fez com que nós tivéssemos que limitar a produção por algumas semanas, a medida que os estoques ficaram cheios em Imperatriz", disse.

A Suzano sofreu no quarto trimestre prejuízo líquido de 58 milhões de reais, revertendo lucro de 34 milhões obtido um ano antes. Ainda assim, o número veio melhor que o esperado. A média de três estimativas de analistas obtidas pela Reuters indicava um prejuízo de 103,7 milhões de reais no período.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou 520 milhões de reais no último trimestre de 2013, alta de 28,7 por cento sobre um ano antes, influenciado pelo maior volume de papel e celulose vendidos, aliado aos maiores preços de papel e redução das despesas gerais e administrativas.

Para 2014, a emprese prevê investimentos de 1,75 bilhão de reais, sendo 1 bilhão em manutenção e 590 milhões ainda na fábrica no Maranhão.

cenário Para 2014

A Suzano também vê um cenário de demanda para celulose e papel mais favorável em 2014, embora tenha ressaltado que os preços de celulose devem permanecer estáveis no curto prazo.

"Hoje temos uma boa perspectiva de crescimento da demanda (de celulose) na América do Norte, Europa e na Ásia, em particular na China, com entrada de novas capacidades (de papel)... Então o que a gente vê no curto prazo é um cenário de equilíbrio", afirmou Carlos Aníbal, diretor da unidade de negócios de papel e celulose.

Ainda assim, o presidente da Suzano afirmou não ter sido possível implementar um aumento de preço de celulose em janeiro, "nem parcialmente".

"Os preços têm se mantido razoavelmente constantes nos últimos meses. Continuamos perseguindo aumento de preços, mas não conseguimos fazer", disse.

As ações da companhia recuavam 3 por cento, a 8,69 reais, às 15h44, enquanto o Ibovespa tinha queda de 0,9 por cento.

A Suzano ainda deve sofrer "pressão de custos ao longo do primeiro semestre, não só em função do elevado custo caixa no início das operações de Maranhão, mas também pelo aumento no raio médio que continuará a pressionar os gastos com compra de madeira de terceiros", disseram analistas da BB Investimentos, mantendo preço alvo sobre as ações da empresa em 9 reais.

Paradas Administrativas

Schalka não descartou fazer paradas administrativas na produção de celulose, como fez no ano passado com papel, caso as condições de mercado se mostrem desfavoráveis. "Nesse momento não temos nenhum plano específico de parada administrativa, mas queremos deixar claro ao mercado que, se em algum momento, por ajuste de preço ou de câmbio, a rentabilidade ficar inadequada, nós consideramos essa hipótese".

Para o segmento de papel, Aníbal afirmou que as eleições e Copa do Mundo devem manter uma boa demanda no mercado interno, enquanto as importações continuam em queda, após medidas para restrição de compra de produtos com isenção de impostos para impressão de livros e jornais.

Em meados de 2013, a empresa interrompeu a produção de papel em duas unidades por 30 dias, devido a aumento de custos e perda de competitividade.

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