Dólar acompanha exterior e volta a cair ante o real

sexta-feira, 14 de março de 2014 17:11 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 14 Mar (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta sexta-feira, assim como em relação a diversas outras moedas, com investidores minimizando as tensões na Ucrânia e as preocupações com o crescimento da China que vinha elevando a moeda norte-americana nas últimas sessões.

A divisa dos Estados Unidos recuou 0,42 por cento, a 2,3516 reais na venda, mas na acumulou alta de 0,15 por cento semana. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares nesta sessão.

"O dólar está perdendo força lá fora, mesmo com o pano de fundo tenso com Ucrânia e China. (Mas) deve continuar sensível às notícias sobre esses assuntos", disse o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

A crise na Ucrânia subiu um degrau na quinta-feira quando o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que uma série de "medidas graves" será imposta na segunda-feira se a Crimeia realizar no domingo o referendo para anexação à Rússia. A declaração motivou ampla valorização da moeda norte-americana em diversas praças financeiras globais.

Nesta tarde, Kerry reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, tentando arrefecer as tensões entre os países. Após as discussões, Lavrov afirmou que a Crimeia significa muito mais para a Rússia do que as Malvinas para a Grã-Bretanha.

Esses temores ajudaram a levar o dólar a encostar no nível de fechamento de 2,37 reais na semana. Nesta sessão, os operadores do mercado de câmbio trabalhavam com um pouco mais de tranquilidade. O dólar recuava em relação a moedas como o euro, o peso mexicano e o rand sul-africano.

Segundo especialistas, o viés de queda desta sessão também ocorreu porque alguns investidores aproveitaram os ganhos para embolsar lucros.

"Esse contexto global mais tenso fez o dólar subir muito nas últimas semanas e hoje houve uma espécie de correção", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

A constante atuação do Banco Central no câmbio também ajudou a segurar as oscilações da divisa dos EUA no Brasil. Nesta sessão, vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Foram 1 mil contratos para 1º de outubro e 3 mil para 1º de dezembro deste ano, com volume correspondente a 198,1 milhões de dólares.

Além disso, também vendeu a oferta total de até 10 mil swaps em leilão para rolagem dos vencimentos em 1º de abril. Ao todo, já rolou pouco menos de 25 por cento do lote total para o próximo mês, que corresponde a 10,148 bilhões de dólares.