Déficit da balança de combustíveis do Brasil aumentará em 2014, diz ANP

segunda-feira, 17 de março de 2014 14:51 BRT
 

SÃO PAULO, 17 Mar (Reuters) - O déficit da balança comercial de combustíveis do Brasil, resultado de importações maiores que exportações, vai aumentar em 2014, disse nesta segunda-feira a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard.

Ela estimou que o déficit da balança de diesel do Brasil será de 9 bilhões de dólares em 2014, enquanto o déficit da balança de gasolina será de 2,5 bilhões de dólares neste ano.

Segundo ela, o aumento do déficit de combustíveis considera uma alta de 4 por cento da demanda de derivados de petróleo no país em 2014, conforme previsto pela agência na semana passada, e um parque de refino sem capacidade adicional.

"Isso significa um cálculo com crescimento de 4 por cento na demanda de derivado, a manutenção do parque de refino brasileiro..., e a similaridade de preços com a média do ano passado", afirmou Magda a jornalistas, após evento do setor em São Paulo.

A executiva não tinha disponíveis dados comparativos com 2013, mas observou que de janeiro a novembro do ano passado o déficit da balança do diesel foi de 7 bilhões de dólares, e o da gasolina de quase 2 bilhões de dólares.

As importações de petróleo e derivados no país são feitas em sua maioria pela Petrobras, que tem tido seus resultados afetados nos últimos anos pela política de combate à inflação do governo, que implica na venda pela estatal no mercado interno de combustíveis a valores mais baixos do que os de compra no mercado externo.

O cálculo da ANP sobre a balança de combustíveis também leva em conta um "pequeno crescimento" da produção de etanol, disse Magda.

Em 2013, um forte crescimento da oferta de etanol --com as usinas do centro-sul privilegiando a produção do biocombustível em detrimento do açúcar-- reduziu a importação de gasolina em 1,1 bilhão de litros, disse um representante da ANP na semana passada.

Em 2014, é provável que o país não tenha a mesma sorte do ano passado, uma vez que uma forte seca afetou a produção de cana do centro-sul. As primeiras avaliações do setor apontam uma produção de etanol estagnada.

(Por Fabíola Gomes)