Fitch:desaceleração de crédito de bancos públicos ajudará bancos privados

segunda-feira, 17 de março de 2014 18:21 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 17 Mar (Reuters) - Os maiores bancos privados brasileiros devem recuperar participação no mercado de seus rivais estatais, que estão reduzindo o desembolso de empréstimos sob instruções do governo federal, afirmou o diretor de instituições financeiras da América Latina na Fitch Ratings, Robert Stoll.

"A esperada retração do setor público deve ajudar os bancos do setor privado a recuperar participação de mercado", disse o analista no chat Trading Brazil da Thomson Reuters.

Na visão de Stoll, o foco forte em controles de despesas e nos empréstimos de menor risco, como imobiliário e consignado, permitirá que Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil aumentem suas carteiras de crédito para consumo em ritmo mais lento do que na média de anos anteriores com um impacto gerenciável na rentabilidade.

Ele disse que tal estratégia é "boa e sustentável para os bancos privados, especialmente num ambiente operacional incerto".

Ainda assim, é difícil dizer se o governo vai confirmar promessas para frear significativamente o crescimento agressivo de crédito dos bancos estatais, pois poderia dificultar o apoio ao partido no poder na eleição presidencial de outubro.

Analistas da Moody's Investors Service, outra agência de classificação de risco, tem a mesma dúvida sobre o tamanho da desaceleração dos bancos públicos no Brasil.

Embora nos últimos meses autoridades do governo tenham reconhecido a necessidade de desacelerar os bancos estatais, estes ainda têm crescido suas carteiras de crédito pelo menos o dobro da velocidade dos rivais do setor privado.

A decisão da Moody's do ano passado de reduzir os ratings do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal reflete a crescente preocupação entre os investidores sobre uso crescente do Brasil de bancos públicos para retomar o crescimento, independentemente das consequências fiscais de tal estratégia.   Continuação...