Boi de safra trará alívio momentâneo ao preço da arroba, diz indústria

terça-feira, 18 de março de 2014 16:19 BRT
 

SÃO PAULO, 18 Mar (Reuters) - A recente alta do preço da arroba bovina para patamares recordes nominais no Estado de São Paulo, importante referência para o país, deverá perder força nos próximos meses, com a entrada do chamado "boi de safra" no mercado, disseram nesta terça-feira representantes do setor em um evento na capital paulista.

Mas a previsão é também de um novo impulso na cotação do boi no final do ano, diante da forte demanda, em meio à expectativa de exportações recordes do país, e de uma oferta mais restrita.

Representantes da indústria frigorífica disseram que a seca atrasou a terminação do boi engordado no pasto no norte de São Paulo, sul de Mato Grosso do Sul, na fronteira sul-matogrossense com Goiás e no Triângulo Mineiro, levando os preços a patamares de pouco mais de 125 reais a arroba em São Paulo, valor nominal recorde, atrás apenas dos 133,31 reais (considerando a inflação) de novembro de 2010, segundo instituto da USP.

Mas a oferta de gado para o abate deve subir já a partir de abril.

"Houve uma retenção de animais", disse o diretor de Compras da Marfrig, José Pedro Crespo, referindo-se a problemas de estiagem que afetaram pastagens no centro-sul nos últimos meses.

"Em abril, maio, a oferta melhora, e depois já começa a entrar o boi de cocho", acrescentou ele, em entrevista a jornalistas, no lançamento da Expo Zebu, exposição pecuária marcada para maio, em Uberaba (MG).

O analista Flávio Abdo, da Inteligência de Mercado da Marfrig, segunda produtora de carne bovina do país, também presente no evento, lembrou que a arroba do boi subiu 5 reais em dez dias, algo bastante atípico, e que as cotações não resistirão à pressão da maior oferta.

"O boi de safra que não entrou (em função da seca), deverá pressionar", afirmou Abdo, destacando que um recuo da arroba viria em boa hora, uma vez que as indústrias frigoríficas repassaram os custos e já estão encontrando dificuldades para vender alguns cortes no mercado interno.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Claudio Paranhos, concordou que o preço da arroba deverá ser pressionado nos próximos meses, com o final do período tradicionalmente chuvoso no centro-sul.   Continuação...