BC tem de permanecer "especialmente vigilante" sobre inflação, diz Tombini

terça-feira, 18 de março de 2014 16:08 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 18 Mar (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira que a autoridade monetária trabalha para levar a inflação à "trajetória de metas", que os efeitos da política monetária são cumulativos e se mostram com defasagens, e que é preciso continuar "especialmente vigilante" neste processo.

Segundo ele, que participou de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado, a recente alta nos preços de alimentos tende a ser um choque temporário e que a política monetária deve agir para que esse movimento se limite ao curto prazo. Tombini repetiu ainda que a inflação ainda mostra resistência e "tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava".

"Somem-se a isso pressões localizadas que ora se manifestam, especialmente no segmento de alimentos in natura. Em princípio, trata-se de um choque temporário e que tende a se reverter nos próximos meses. Mesmo assim, a política monetária deve atuar de modo a garantir que os efeitos desse choque se circunscrevam ao curto prazo", afirmou o presidente do BC.

Tombini basicamente repetiu as indicações já dadas pelo BC sobre a condução da atual política monetária, cujo aperto começou em abril passado, quando a Selic estava na mínima histórica de 7,25 por cento. Hoje a taxa básica de juros está em 10,75 por cento ao ano.

Ele também disse que parte significativa dos efeitos do atual ciclo de aperto ainda não se materializou.

Para boa parte dos agentes econômicos, o BC ainda deverá fazer mais uma elevação na taxa básica de juros em abril, de 0,25 ponto percentual, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente.

Muito questionado por senadores sobre os preços persistentemente altos, o presidente do BC avaliou que "não há nada que nos condene a ter uma inflação acima da meta", reafirmando que a autoridade monetária continua perseguindo o centro do alvo.

A meta do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com intervalo de tolerância para cima ou para baixo. Em fevereiro, o indicador subiu 0,69 por cento, um pouco acima do esperado, e chegando a 5,68 por cento no acumulado em 12 meses.   Continuação...

 
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado, em dezembro, em Brasília. O presidente da autoridade monetária afirmou nesta terça-feira, no Senado, que o BC tem de continuar "especialmente vigilante" sobre inflação. 10/12/2013 REUTERS/Ueslei Marcelino