Grande importador chinês tenta revender soja do Brasil para os EUA

quinta-feira, 20 de março de 2014 10:49 BRT
 

Por Niu Shuping e Dominique Patton

PEQUIM, 20 Mar (Reuters) - Uma grande empresa chinesa compradora de soja está tentando revender carregamentos que deverão ser exportados do Brasil em abril e maio, em meio a uma redução de demanda na China devido à gripe aviária, com a expectativa de que os Estados Unidos receberão os carregamentos, disse um executivo da companhia.

A importadora chinesa está negociando para revender cinco ou seis carregamentos de soja brasileira, equivalentes a cerca de 360 mil toneladas, para o mercado norte-americano, onde os estoques tem estado apertados devido a um inverno rigoroso e recentes compras volumosas pela China, disse a fonte, falando sob a condição da empresa não ser identificada.

"Ainda estamos negociando preços. Eu acredito que todas as cargas serão vendidas ao mercado dos EUA --é só uma questão de preço", disse o executivo, acrescentando que a companhia já havia revendido para os Estados Unidos quatro carregamentos de soja da América do Sul com embarque no final de março. Os carregamentos geralmente são de 55 mil a 60 mil toneladas.

A oferta extra nos EUA pode pressionar os preços na bolsa de Chicago, onde o contrato para entrega em maio subiu cerca de 3 por cento nos últimos 3 dias.

Os compradores na China, maior país importador de soja, já cancelaram até 600 mil toneladas em carregamentos de soja da América do Sul para embarque entre março e maio, devido a margens negativas no esmagamento, em meio a uma demanda fraca, disseram operadores na semana passada.

O executivo disse que ao vender para o mercado dos EUA, iria conseguir reduzir suas perdas para abaixo de 100 iuanes (16,14 dólares) por tonelada, comparado a cerca de 600-700 iuanes que perderia vendendo a soja no mercado doméstico chinês.

Estados Unidos e Brasil são os maiores produtores globais de soja, com a China comprando cerca de 60 por cento de todo o volume negociado no mercado internacional.

A China normalmente volta-se para a América do Sul em busca de soja a partir de fevereiro, mas preocupações com o congestionamento nos portos e eventuais atrasos na colheita no Brasil fizeram a China agendar um volume maior de carregamentos dos EUA para o mês de março.   Continuação...

 
Vista de uma plantação de soja na cidade de Primavera do Leste, Mato Grosso. Uma grande empresa chinesa compradora de soja está tentando revender carregamentos que deverão ser exportados do Brasil em abril e maio, em meio a uma redução de demanda na China devido à gripe aviária, com a expectativa de que os Estados Unidos receberão os carregamentos, disse um executivo da companhia. 07/02/2013 REUTERS/Paulo Whitaker