Risco de liquidez nos bancos brasileiros teve pequena alta, mas continua baixo, diz BC

quinta-feira, 20 de março de 2014 15:47 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 20 Mar (Reuters) - O risco de liquidez no sistema bancário brasileiro registrou "pequeno aumento" no semestre passado, embora tenha continuado baixo e a tendência daqui para frente seja de estabilidade, segundo o Banco Central.

Ao mesmo tempo, a capacidade de solvência do sistema permaneceu em patamar elevado no período, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do BC divulgado nesta quinta-feira, referente ao segundo semestre de 2013.

"Não há nada no horizonte que sugira que possamos ter mudança estrutural no risco de liquidez nos bancos", disse o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, a jornalistas.

Segundo o relatório, o índice de liquidez do sistema bancário foi reduzido para 1,52, ante 1,63, "por conta da diminuição dos ativos líquidos concomitantemente ao aumento do fluxo de caixa estressado".

Essa elevação ocorreu, conforme explicou o diretor, com a redução de ativos dos bancos em função da perda de valor dos títulos públicos detidos por eles em meio ao ciclo de alta da Selic. De abril para cá, a taxa básica de juros subiu 3,50 pontos percentuais, para o atual patamar de 10,75 por cento, para combater a inflação.

Também houve maior captação de depósitos à vista e de operações compromissadas, movimentos que aumentaram os passivos. A adesão dos bancos ao Refis (programa de parcelamento de dívida tributária) gerou desembolso, reduziu ativos e também contribuiu para o aumento do risco de liquidez.

"Há desafio grande em atravessarmos um momento de mudança como esse que vivemos. Isso traz volatilidade e mudanças em preços de ativos, esse é um semestre desafiador", afirmou Meirelles, referindo-se à atual política monetária norte-americana, que tem fortes impactos nos mercados internacionais.

Na véspera, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, informou que provavelmente encerrará seu programa de compra de ativos entre setembro e dezembro deste ano, podendo ainda dar início a um ciclo de elevação das taxas de juros seis meses após esses processo.   Continuação...