21 de Março de 2014 / às 00:22 / 4 anos atrás

Lucro da Estácio triplica no 4o tri; vê captação recorde de alunos em 2014

RIO DE JANEIRO, 20 Mar (Reuters) - A rede de ensino privado Estácio Participações viu seu lucro líquido triplicar no quarto trimestre, na comparação com o mesmo período de 2012, para 45,1 milhões de reais, e espera novo recorde de captação de alunos em 2014.

O resultado foi impulsionado pelo avanço da receita líquida, além da melhora do resultado financeiro.

Mas o lucro ficou abaixo do esperado pelo mercado. A média das estimativas de analistas apontava para lucro de 62,4 milhões de reais no período. No acumulado do ano, o lucro foi de 244,7 milhões de reais, alta de 123,1 por cento sobre 2012.

O resultado financeiro da companhia ficou positivo em 3,7 milhões de reais, ante um resultado negativo de 12 milhões de reais um ano antes.

“O resultado vem muito alinhado com crescimento da base de alunos, basicamente orgânico”, disse à Reuters o diretor executivo de finanças e de relações com investidores da companhia, Virgílio Gibbon, nesta quinta-feira.

A Estácio encerrou 2013 com uma base total de 315,7 mil alunos, 16,3 por cento acima de 2012, sendo 255 mil alunos matriculados nos cursos presenciais.

A companhia registrou uma evasão de 20,7 mil alunos, 8 mil a mais na comparação com o mesmo período de 2012, por conta de uma base “mais jovem”, com mais alunos matriculados nos três primeiros períodos.

Também contribuíram para este aumento a evasão de alunos do Financiamento Estudantil (Fies), além de uma limpeza de base de 3 mil alunos, que não tinham efetivado o trancamento de matrícula ou não apresentavam aproveitamento acadêmico.

Com a limpeza da base, a companhia tem expectativa de melhora da evasão em 2014, de acordo com Gibbon. “Estamos pensando em uma renovação acima do esperado, com a base mais limpa”, afirmou.

A Estácio encerrou dezembro com receita líquida de 436 milhões de reais, 20,5 por cento acima do resultado de um ano antes.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 65,8 milhões de reais no período, 36,2 por cento maior, na mesma base de comparação.

A empresa apresentou posição de caixa, depósitos bancários e aplicações financeiras de 739,2 milhões de reais, resultado que foi impulsionado pela oferta subsequente de ações da companhia, que em janeiro de 2013 movimentou 768,8 milhões de reais.

Deste total, a companhia utilizará 307 milhões de reais na aquisição da Uniseb, em uma operação anunciada pela companhia em setembro passado por 615 milhões de reais em dinheiro e ações.

No final de fevereiro, o parecer técnico do Cade recomendou medidas para solucionar problemas concorrenciais no negócio.

A expectativa, segundo o executivo, é de aprovação da operação, com a implantação de alguns remédios pelo Cade. Ele mencionou a possibilidade de limitar oferta de algum curso em determinada praça ou limitar ou manter a quantidade de alunos em locais indicados, ressaltando que qualquer expectativa seria mera especulação.

Com pouco mais de 440 milhões de reais em caixa, a Estácio vai continuar focando em aquisições e na expansão territorial, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Para 2014, a companhia espera nova captação recorde de estudantes. “Esperamos um crescimento de aproximadamente 18 por cento tanto no segmento de graduação presencial quanto no de graduação à distância”, disse a companhia em seu relatório de resultados.

A Estácio afirmou também que vai analisar “qualquer resultado” do processo de fusão entre Kroton e Anhanguera, disse o diretor.

Quando perguntando se a Estácio poderia ter interesse em uma associação com a Kroton caso a fusão com a Anhanguera não seja concluída, Gibbon afirmou que a empresa analisará “o resultado que sair deste processo”. “Mas é muito cedo, e qualquer coisa que eu fale aqui será mera especulação”, completou.

Nos últimos dias, circularam notícias sobre o suposto interesse da Kroton em renegociar com a Anhanguera os termos da associação que criará a maior empresa de educação do país em função da ampliação da diferença entre o valor das ações das duas companhias desde a celebração do acordo, em abril passado.

Por Juliana Schincariol; Edição de Luciana Bruno

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